Por que é importante ler mais autoras mulheres?

Hoje tia Raquel vai dar alguns exercícios básicos para vocês. Respondam com sinceridade.

1) Já reparou em quantos livros escritos por mulher você tem na estante?
2) Ou em quantos livros escritos por mulheres você leu esse ano?
3) Quando você pensa em "clássicos da literatura", os três primeiros que vêm na sua cabeça, são escritos por homens ou mulheres?

Isso pode parecer besteira, mas por muito tempo as mulheres sofreram com a falta de visibilidade no meio literário, seja pelo tom da sua pele, seja por simplesmente serem mulheres. Muitas usavam pseudônimos masculinos para serem publicadas porque era necessário "escrever como homem".

Em pleno 2018, dá aquela vontade de dizer que "os tempos são outros", né? Afinal, temos aí JK Rowling, uma das escritoras mais bem sucedidas da atualidade, dona de uma das maiores franquias do mundo (vale lembrar que ela foi constantemente negada por inúmeras editoras que achavam que Harry Potter não iria vingar) Ou E.L James, que deu visibilidade ao gênero erótico, gênero este que, escrito por mulher é "putaria", mas escrito por homem, como "Lolita", é considerado clássico. Ou Colleen Hoover, Jamie McGuire, Sarah J Maas, que publica fantasia, um gênero tão dominado por homens, etc...

Ilustração: Jordana Andrade publicada no blog Lendo Mulheres.
Mas eis aqui alguns dados que, apesar do dia ser da mentira, são muito reais e mostram o quão árduo é o caminho que temos pela frente. Entre os 40 membros da Academia Brasileira de Letras, apenas cinco são mulheres. Nesta mesma Academia, a primeira mulher a ocupar um posto de "imortal" foi Rachel de Queiroz, 80 anos depois da sua criação. Na Bienal do Rio de Janeiro do ano passado, entre os convidados oficiais do evento, 107 eram homens. 83, mulheres. Desde que eu nasci, em 1990, o prêmio Nobel de Literatura só foi dado apenas para oito mulheres. Foram necessárias 15 edições da FLIP para que a Festa Literária Internacional de Paraty tivesse o mínimo de representatividade em suas mesas e trouxesse temas de interesse feminino. Curiosamente, isso só aconteceu quando a curadoria do evento passou para as mãos de uma mulher. 

Percebem que ainda há uma disparidade? Não estou propondo aqui nenhuma guerra dos sexos. Não se trata de ler apenas mulheres ou apenas homens, mas de buscar um equilíbrio, até mesmo para alcançar um pensamento mais critico sobre vários assuntos, o famoso sair da caixinha que falta para tanta gente. Representatividade na literatura também é importante e ninguém melhor para falar sobre mulher que nós mesmas. O protagonismo feminino na literatura é essencial. Mais que isso, é necessário que tenhamos personagens mulheres exercendo, de fato, papeis de protagonismo em suas tramas e não apenas sendo mocinhas frágeis e indefesas. E aqui proponho mais um exercício. Pense em três livros que você leu e se identificou com a história, que você se sentiu representada pela personagem. Aposto que todos eles, ou a maioria, foi escrito por mulheres.

Como eu disse, ainda há muito a ser percorrido. O reconhecimento da mulher na literatura ainda é uma barreira a ser vencida. Prova disso é o estigma da "literatura feminina". Quem nunca ouviu o famigerado termo? O gênero chick-lit, que virou sinônimo de futilidade e amor de cinema, - outro assunto que também precisa ser debatido porque o preconceito com o gênero é ridículo - reduziu à literatura "para mulheres" àquela leitura leve e despretensiosa, quando, na verdade podemos ler -e escrever- qualquer tipo de literatura. Nada pode ser restrito a algo para mulheres e para homens. Em qualquer área que seja. Literatura, cerveja, mercado de trabalho... 

O movimento "Leia mulheres" é real e provavelmente deve ter na sua cidade. Ele é baseado na iniciativa da americana  Joanna Walsh que começou a campanha #ReadWomen2014 justamente para dar visibilidade à bandeira das mulheres na literatura.

Aproveito o espaço do post para indicar três livros escritos por mulheres que vocês deveriam ler. E também gostaria de pedir que vocês me indicassem autoras para que eu possa ler também. Vamos juntas?


Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra.
Quinze anos mais tarde, Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência.
Principal autora nigeriana de sua geração e uma das mais destacadas da cena literária internacional, Chimamanda Ngozi Adichie parte de uma história de amor para debater questões prementes e universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero. Bem-humorado, sagaz e implacável, Americanah é, além de seu romance mais arrebatador, um épico contemporâneo.


Marjane Satrapi tinha apenas 10 anos quando viu-se obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979, ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita, apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão dos persas. 25 anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que transformou-se, Marjane, emocionou leitores de todo o mundo com sua autobiografia nos quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares. Em Persépolis, o popular encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor infiltra-se no drama, e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar.



3 comentários:

  1. Olha, vc me deixou aqui meio preplexa... assim que chegar em casa irei dar uma olhada nos meus livros...
    Realmente, E.L. James é putaria, mas Lolita é um clássico... vai entender né
    Sério que só temos 5 mulheres na ABL? estou chocada! :O
    Bom, na verdade estou chocada com todos os numeros que vc falou =/
    Odeio esse termo "literatura feminina" :@
    Já tenho como meta de leitura ler mais livros nacionais, vou colocar como meta ler mais escritoras do que escritores agora também!

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  2. Kel, já parei sim para pensar nisso de quantos livros escritos por mulheres já li e/ou tenho na estante e olha... fico feliz em dizer que por aqui a "coisa" tá bem equilibrada, viu?

    Realmente quando é uma mulher que escreve eu me identifico mais com a história e personagens

    Algumas dicas de livros escritos por mulheres:
    A lista - Cecelia Ahern (coisa liiiinda, faz refletir muito)
    Dançando sobre cacos de vidro - Ka Hancock
    No escuro - Elizabeth Haynes

    Beijos!

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  3. Realmente, precisamos ler mais autoras mulheres e também enaltecê-las, porque agora é a nossa hora de mostrar pro mundo que podemos fazer o que quisermos!
    Adorei as dicas de livros e o post ficou incrível <3

    Inclusive, indiquei seu post nos Links do Mês lá no blog!

    Beijos
    Inverno de 1996

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