Resenha 399 | Todo o dia

Oi, pessoal, tudo bem?

Foi preciso sair o trailer do filme para eu tomar vergonha na cara e ler "Todo o dia". Não conheço uma pessoa que fale mal do livro. Apesar de já ter lido outros livros do Levitan (Invisivel | Dois garotos se beijando) Nunca tinha lido o clássico que deu visibilidade ao autor. Então, fiquem com a resenha. 

Título: Todo o dia
Autor: David Levithan
Editora: Galera Record
Páginas: 280 


Sinopse: Neste novo romance, David Levithan leva a criatividade a outro patamar. Seu protagonista, A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.


A é uma "pessoa" que vive trocando de corpo. Desde que nasceu, isso acontece e é a única forma de vida que ele(a) conhece. A não tem um gênero definido e nem um corpo só dele. Todos os dias pela manhã ele acorda no corpo de outra pessoa e fará parte daquela rotina por 24 horas. Quando o corpo dorme, A recomeça a sua sina e acorda como uma nova pessoa.Claro, há algumas particularidades. Essa mudança de corpos só ocorre dentro de um determinado raio (ele nunca poderia acordar em países diferentes, por exemplo) e a pessoa escolhida sempre terá a mesma idade de A. Ele já havia se acostumado a nunca ter o mesmo rosto ou ter uma mesma família. A consegue sentir o que o seu hospedeiro sente e pauta o seu dia na rotina daquele corpo.

Vinte e quatro horas é um tempo muito curto. No inicio A tinha dificuldades em lidar com a sua condição. Com o tempo, aprendeu a se desligar rapidamente de seus hospedeiros, só lhe resta se adaptar aos hábitos daquele corpo e assumir aquela identidade por um dia. Até que, aos 16 anos, ele acorda na pele de Justin, um garoto pra lá de egoísta que namora Rhiannon. Ela é totalmente apaixonada por Justin, mas ele não parece se importar muito. Até A entrar em seu corpo. A se conecta imediatamente com a sua "namorada" e se torna impossível ignorar esse sentimento. Ele nunca tinha passado por isso antes. É por isso que A decide conquistá-la mesmo que a cada 24 horas tenha uma aparência diferente.

A história, apesar de original, apresenta alguns furos. Quando parece que o mistério que envolve a mudança de corpo vai ser aprofundado, o autor desvia o foco e deixa a questão sem resposta. Apesar disto, a mensagem do livro é a mais bonita que alguém poderia passar. Amor é amor, independente do tamanho do seu corpo, da cor da sua pele, da sua opção sexual. O que importa de verdade é a sua essência, e é isso que A representa. Ele vai muito além de um corpo. Não é isso que o define. E quando Rhiannon começa a ver o que está por trás "da capa", ela descobre o que é o amor de verdade, algo que ela nunca havia experimentado antes.


O Levithan trata a temática LGBT com sensibilidade e franqueza. Os diálogos são muito ricos e reflexivos. Esse é o maior dom do autor. De uma forma bem sutil, Levithan mostra alguns preconceitos que estão enraizados na sociedade. 

É difícil achar uma tradução boa para A. No português é tudo muito definido por gêneros, algo que A definitivamente não gostaria que acontecesse com ele (olha aí eu definindo! No inglês poderia ser apenas it) A evita ao máximo interferir no destino das pessoas que habita e o autor insere alguns conflitos bem interessantes. A valoriza a vida, a família e os amigos muito mais que qualquer pessoa. Será que nós, que temos isso todo o dia, também damos o devido valor? 

"Todo o dia" vai muito além de um young adult, ele fala sobre aceitação e sobre como nos pautamos nas aparências.

"Na minha experiência, desejo é desejo, amor é amor. Nunca me apaixonei por um gênero. Apaixonei-me por indivíduos. Sei que é difícil as pessoas fazerem isso, mas não entendo por que é tão complicado quando é tão óbvio."

O filme estreia no fim de fevereiro nos Estados Unidos, mas ainda não há uma data para a estreia no Brasil. Vocês podem ver o trailer do filme aqui:





2 comentários:

  1. Uau. Que história mais linda. Se apaixonar e fazer com que a pessoa se apaixone indefinidade vezes por você em corpos diferentes, isso parece tão mágico e tão irreal, ao mesmo tempo, é como se fosse dessa forma. Não nos apaixonamos por outra pessoa pela aparência, e sim por alguém. Que vai além de qualquer corpo físico.

    Amei a resenha. Obrigada

    Abraços.

    https://www.newsfallenbooks.com/


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  2. Oi Kel!
    Já ouvi muito sobre os trabalhos do Levithan, mas nunca li nada dele. Fiquei com muita vontade de ler esse livro, mas de preferência no idioma original pois eu também não gosto que as línguas latinas tenham tanta definição de gênero (risos).
    Achei super lindo o trailer do filme também e com certeza irei assistir.
    Beijos!!
    Nerd Fox

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