A bordo | San Pedro de Atacama - 6 dias

Que lugar, meus amigos, que lugar!

Quando eu e Bruno decidimos ir para Santiago, uma colega de trabalho disse que San Pedro era um dos lugares mais lindo que ela já tinha tido o prazer de visitar. Olhei fotos, dei uma pesquisada, achei bacana e resolvemos juntar os dois destinos chilenos. O único arrependimento foi não ter tido mais tempo naquela típica cidadezinha no meio do nada e com cheiro de terra molhada. San Pedro de Atacama, ou San Pierro, como os locais gostam de chamar, é incrível e tudo que eu vi lá tá guardadinho no meu <3 Hoje vou contar para vocês um pouco do nosso roteiro lá.

San Pedro é uma cidadezinha pequenininha com cerca de 2 mil habitantes, mas centenas de turistas. Ela fica próxima da fronteira com a Argentina e também da Bolívia. É um dos pontos de travessia para quem quer ir para o Salar de Uyuni. O deserto do Atacama é o mais árido do mundo. Chove cerca de 15 dias ao ano! Então, se você pegar chuva no seu passeio,vai ser um grande azar (ou uma grande sorte, depende do ponto de vista)

A verdade é que San Pedro tem passeios para todos os gostos. Para os mais radicais: escalada no vulcão, sandbord, trekking. Para quem quer relaxar: águas termais, um mergulho na lagoa mais salgada que o mar morto...  O roteiro varia de acordo com a disposição do viajante. Como era a primeira vez que eu e Bruno experimentamos a altitude e como curtimos mais contemplação de vista que aventuras, optamos pelos passeios básicos que todo o visitante do deserto deveria fazer. 

Para chegar a San Pedro de Atacama, o avião aterriza em Calama, cidade vizinha a cerca de 1h 30 de distância. Duas companhias fazem voos para lá: LATAM (dominante no Chile, seu país de origem) e Sky, companhia local. Fomos de LATAM.

Chegando no aeroporto, que é bem pequenininho (dois portões), mas super organizado, pegamos o tranfer oferecido pelo hostel em que nos hospedamos e seguimos para San Pedro.


DAY 1

No nosso primeiro dia exploramos o centro da cidade e aproveitamos para fechar os nossos passeios dos dias que se seguiriam. Fechamos com a Layana! Seguindo algumas dicas que peguei pela internet, montamos o nosso cronograma baseado na altitude dos lugares. Vale lembrar que o Atacama fica 2,4 mil metros acima do nível do mar e cada corpo reage de uma forma diante da altura. Não vale a pena estragar o seu passeio por causa disso.

A cidade tem uma praça (que se chama PRAÇA) onde rolam vários shows de artistas de rua e tem wifii de graça! Ao longo da viagem, a praça era sempre um lugarzinho de descanso e de observar as pessoas.

É por ali também quem ficam os restaurantes e todo o tipo de agito do Atacama. Vou fazer um outro post sobre isso, mas adianto que o La Estaka foi um dos nossos preferidos. 

DAY 2

Já sonhou em visitar a Lua? Pois é, foi assim que eu me senti no Vale de la Luna. O lugar faz jus ao nome que recebe. O passeio dura metade do dia e é o mais próximo da cidade de San Pedro. Pegamos uma van e chegamos em cerca de meia hora ou menos. É uma reserva linda com formações rochosas que parecem os buraquinhos da lua. É um local de origem vulcânica. Simplesmente maravilhoso. O passeio é feito na parte da tarde porque termina no Valle de la Muerte. Um mirador maravilhoso onde eu me senti o próprio Simba naquele diálogo com o Mufasa.






Pedra do coiote
O guia fez toda a diferença no passeio. Fechamos com a Layana e nosso guia foi o Paco. O cara mora no Atacama, é apaixonado pela cidade, dá pra ver nos olhos dele. Sabe demais sobre tudo! Paco é muito simpático e bem didático. Foi o nosso plus no passeio!



DAY 3

No segundo dia, foi a vez de visitarmos as Lagunas Altiplânicas e as Piedras Rojas! Para mim é o passeio mais imperdível do Atacama. Por favor, não deixem de ir! Pedras Rojas é absolutamente de tirar o fôlego! Esse é um passeio de dia inteiro. Fomos em uma van que nos buscou no nosso hostel. Paramos para o café da manhã em um vilarejo do caminho. O guia fez um pequeno tour por lá (cerca de 20 minutos) e seguimos para a paisagem mais bonita do deserto. É tão fantástico que é difícil descrever! Acho que nenhuma foto faz jus, nem as tiradas com as máquinas mais profissionais.

Lagunas Altiplânicas
Assim como o Valle de la Luna, as Lagunas são parte de uma reserva, onde você paga para entrar, normalmente este valor não está incluso no preço do tour. A vantagem é que dentro da reserva tem o mínimo de estrutura para receber os turistas como sinalização e até banheiros. A primeira parada são as Lagunas e logo depois, Piedras Rojas, que, para mim, é o lugar mais bonito de todo o Atacama

Piedras Rojas. 
Das Piedras Rojas retornamos para a mesma cidade em que tomamos café, desta vez para almoçar. A comida é simples, mas gostosa. E, em seguida, fomos para a reserva dos flamingos. O lugar é lindíssimo e coberto por uma superfície de sal (eu provei e é real haha). É maravilhoso observar os pássaros ali.



Foi nesse dia a noite que fizemos o tour astronômico! Não deixem de fazer. É o que eu mais recomendo a vocês. Fizemos com a agência Space. O Atacama é um ótimo lugar de observação do céu. Não tem poluição e nem muita luz. Já na cidade você consegue observar o céu totalmente estrelado. É triste pensar que esse mesmo céu está sobre a nossa cabeça todos os dias, mas não conseguimos ver. É muita estrela. Juro. No tour, um Ônibus nos pega na cidade por volta das 21 horas da noite. A Space tem passeios em inglês, espanhol e francês. Somos levados para um sítio a cerca de 15 minutos de San Pedro. Lá mora um canadense que, segundo o próprio, trocou os 350 dias nublados do Canadá por 350 dias ensolarados do Atacama. No jardim ele dispõe de 10 telescópios apontados para estrelas/ planetas diferentes . Depois de uma aula sobre astronomia, podemos observar Marte, os anéis de Saturno, etc. 


DAY 4

Quarto dia foi dedicado ao Salar de Tara. Ele é campeão em muitos sentidos. É o mais distante: cerca de 140 km da cidade. É também o mais alto, 4.400 m. E é o passeio mais caro. O local é totalmente inóspito e de difícil acesso, por isso nem todas as agências vão até lá. Nem a estrada é bem delimitada. A impressão é de que os guias vão por puro instinto. Preparem-se para muito sacolejo. 

A pedra mais famosa do Salar de Tara
Sinceramente, não foi o meu local preferido, mas o Bruno amou. O passeio dura boa parte do dia. O retorno estimado é às 17h. O almoço está incluído. Mas, nesse tempo todo, não há banheiros. Se pintar a vontade, é atrás da pedra mesmo. 

Meu problema com o Salar de Tara, foi o frio. Para mim estava pior que os Gêiseres. Duas blusas e dois casacos de moletom não aguentaram o vento de cortar os ossos. Fora que o passeio tem alguns momentos de caminhada e por causa da altitude, eu não conseguia andar mais de 5 minutos sem precisar parar para respirar mais fundo. Não tive nenhum efeito de altitude (leia-se: enjoos, dor de cabeça, tontura), mas no Salar de Tara pude ver o quanto a altura influencia no nosso fôlego. 100 metros era como uma corrida de 2 km! Por isso, é muito importante deixar os passeios mais altos para o final. 


Frio para um caraleo


DAY 5

No terceiro dia fizemos o passeio para os Gêiseres de Tatio. É para chegar lá é preciso madrugar! Normalmente as agências começam a buscar seus clientes por volta das 4 da manhã. Avisamos do passeio no nosso hotel e eles deixaram um café da manhã preparado para a gente. 

O gêiser é uma nascente termal que entra em erupção periodicamente. Existem pouquíssimos no mundo. Além do Chile tem gêiser na Rússia, Nova Zelândia e na Islândia. Normalmente as erupções começam por volta das 6 - 7 da manhã. Mas deixo aqui um alerta. Durante o nosso passeio, uma polonesa bem encrenqueira reclamou que chegamos com o dia já claro e não pegamos o amanhecer. Nossa guia disse que no inverno, período em que fomos, as erupções costumam durar um pouco mais. Chegamos por volta das 7 horas e foi maravilhoso.


O parque fica à cerca de 1: 40 do Atacama. A estrada é sinuosa, o que faz com que a viagem possa durar um pouco mais. É realmente um espetáculo da natureza. A temperatura da água pode chegar a 80 graus, é muito impressionante!

A agência serve um café da manhã nos Gêiseres e também podemos entrar em uma piscina de água quentinha. Deixei passar essa oportunidade. Não foi o dia mais frio, o Salar de Tara estava beeem mais frio, mas como eu estava sem toalha, resolvi deixar para lá. Aproveitei para fotografar mais um pouco do local. 

Na parte da tarde, fechamos os nossos passeios no Atacama com a Laguna Cejar. Recentemente ela ficou fechada por um tempo, mas reabriu. A Laguna Cejar é 80% sal, o que significa que ela é 1) mais salgada que o Mar Morto e 2) Que, claro, você não afunda nela. Para uma pessoa que não sabe nadar, como eu, foi o máximo ficar boiando em uma lagoa super funda e não morrer afogada. Mas é preciso alguns cuidados por lá. Os guias pedem para não pular na lagoa, muito menos mergulhar o rosto nela. Atualmente o Ministério da Saúde do Chile recomenda um "banho" de cerca de 40 minutos na Laguna. 



Eu fui no inverno e, para mim, foi tranquilo entrar na água. Reparei que no Atacama começa a esquentar por volta das 11 horas/ meio dia. Sentia que as tardes eram mais quentes que a parte da manhã. Como chegamos na Laguna por volta das 15h, o clima estava super gostoso e sem vento. 

O legal da Cejar é que ela tem toda uma estrutura para os turistas. Tem banheiros para você trocar de roupa e chuveiros para tirar todos os quilos de sal que estarão grudados no seu corpo quando sair da lagoa hahahaha. 

A Layana preparou lual super bacana no pôr-do-sol, com petisquinhos e com a nossa atual bebida mais amada do mundo, Pisco Sour. Foi super bacana para conhecer os nossos colegas de tour e, claro, para relaxar para voltar ao Brasil no dia seguinte. 

No sexto dia, ainda teríamos mais meio dia para aproveitar alguma coisa, mas optamos por continuar relaxando no hotel e dar uma última volta na cidade. 

Deixamos o Atacama com aquela saudade. Se vocês buscam, paz, tranquilidade e cenários de tirar o fôlego, não pensem duas vezes. Para quem vai a Santiago é obrigatório dar uma esticadinha pro deserto. Você não vai se arrepender.



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