03 outubro 2015

# Mudando de Assunto // Entrevista com o autor Bolivar Soares

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje é dia de batermos papo com mais um autor nacional. Bolivar Soares é autor do livro "Depois do Túnel", publicado pela Giostri, que narra a história de duas irmãs e uma experiência de quase morte. Acho que quem gostou de Se Eu Ficar pode gostar bastante deste livro!



1) Como decidiu que queria ser escritor?

Acredito que não adianta alguém decidir da noite para o dia que será escritor. É um processo complexo que envolve uma predisposição inata à atividade, mas principalmente vocação. E vocação inclui disciplina e obstinação, pois fazer literatura ou qualquer tipo de arte no Brasil, é um grande desafio. Além da predisposição e da vocação o candidato a escritor ou já escritor profissional deve ler muito e um pouco de tudo: desde os clássicos até literatura contemporânea.


2) Você tem algum ritual na hora de escrever?
Não tenho nenhum ritual específico. O que ajuda muito, antes de começar o trabalho, é estar com a mente descansada e não pode ter barulho para escrever. As ideias, assim, fluem melhor e o rendimento é bem maior. Por isso prefiro escrever de manhã ou à noite.


3) Como foi o processo de escrita de "Depois do Túnel"?

Foi um processo que envolveu, primeiramente, muita pesquisa, uma vez que o tema central carreia certa polêmica.
Então, a pesquisa, no caso de “Depois do túnel”, foi essencial. O tema EQM (Experiência Quase Morte) é um assunto muito pouco pesquisado e difundido, que traz muitas controvérsias nos meios religioso e acadêmico.
Depois da pesquisa, aconteceu a organização das ideias e personagens e por último a escrita propriamente dita. Acho que se o escritor planeja antes através da criação de uma sinopse, por exemplo, fica mais fácil. É possível, dessa maneira, que não surja o conflito da página em branco.


4) Joyce e Ilka são pessoas totalmente diferentes. Como foi criar estas duas personagens?
A criação de personagens é um processo externo, de observação. Portanto, um processo de extração, de recorte. As personagens nascem de fora para dentro, por isso, nesse sentido, tudo pode servir à construção de personagens.  Por isso não é só o cotidiano que dá o embasamento necessário. Até a leitura de uma notícia de jornal, onde pode estar descrito um  perfil interessante, pode ser fonte de inspiração. Comigo, pelo menos, funciona assim.
Em relação as diferenças entre as duas personagens centrais do livro, afirmo que Joyce é muito boa, uma pessoa que apesar de muito mal tratada pelos acontecimentos da vida, mantém a mesma doçura, enquanto Ilka é muito má, na própria acepção da palavra, sem nenhuma camuflagem.   Mas como nada é estanque, nem na vida real, muito menos na literatura, após a metade do livro, onde Ilka sofre a chamada EQM (Experiência Quase Morte), tem a chance de voltar e rever seus atos e sua vida, que é permeada basicamente pelo egocentrismo. Se ela é ou não merecedora de uma segunda chance, depois de ter causado tanto mal ao seu redor, só o leitor poderá dizer.


5) O que os leitores podem esperar do seu livro?
Talvez uma boa leitura, talvez uma reflexão sobre temas nevrálgicos. É um livro que vai a fundo no tema morte –   assunto que as pessoas não gostam de falar, no entanto, é algo real e a gente tem que entender que ela existe -.  Mas não é um livro espiritualista (mesmo trazendo a EQM), nem dogmático. Classifico como um livro dramático, com aspectos intimistas, que traz uma trama cheia de mistérios, que serão esclarecidos no final da trama. Por isso entendo que as percepções, a partir da leitura de “Depois do Túnel”, poderão ser as mais variadas possíveis.


6) Quais são as suas inspirações literárias?
Adoro os clássicos da Pós-Renascença. Representam uma fonte de aprendizagem incomparável, e lá encontramos toda a técnica narrativa: como conduzir os acontecimentos em uma obra literária, como a personagem deve se exteriorizar. Cito, especialmente, como grande inspirador o nosso Machado de Assis, que é talvez o autor mais universal que já existiu, e isso explica porque sempre é muito estudado aqui no Brasil e em outros países. Também gosto muito, nessa linha de autores clássicos, de Dostoivéski,  Stendhal, Hemingway, Eça de Queiróz, Virgínia Wolff e Gabriel Garcia Marques, que são autores atemporais, e também fascinantes  por terem construído  uma obra caracterizada por uma vertente humanista quase divina.


7) Você é Membro Imortal da Academia Luminescência Brasileira de Ciências, Letras e Artes, como foi alcançar esse mérito?
Foi uma honra ter recebido esse título, que eu nem esperava. A ALUBRA fomenta-se como uma das principais instituições literárias e culturais do país, reunindo grandes escritores da língua portuguesa e também de outros países.


8) Quais são os seus planos futuros?
No momento realizo pesquisa para a construção de um terceiro romance. Será dessa vez, ao contrário dos anteriores, um romance de época, que começará em meados do século passado e que se arrastará até os dias atuais. Por isso estou fazendo uma pesquisa a fundo sobre a segunda guerra mundial.


9) Deixe um recado para os nossos leitores
Foi um prazer ter concedido entrevista ao blog “Por Uma Boa Leitura”, trazendo minha experiência como autor!
Espero que as pessoas tenham a oportunidade de apreciar “Depois do Túnel”, e que, enfim, encontrem tempo para o exercício da leitura, o que não é fácil na agitação do dia a dia. De qualquer forma, creio que a leitura é uma atividade que só traz benefício, e nesse quesito, de todas as naturezas.

11 comentários

  1. Parabéns pela entrevista, sempre é bom conhecer novos autores e saber mais sobre seu livro. Eu não gostei de Se eu ficar, esperava mais. Mas espero gostar desse. Passar por isso de quase morrer, acho que leva a pessoa quando volta a ver o mundo de outra forma e dar mais valor as pequenas coisas que não apreciamos, porque a pessoa passa por um susto e tanto e gostei de saber que no livro tem mistério que adoro.

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  2. Gostei muito da entrevista com o autor e até fiquei com vontade de conferir Depois do Túnel, parece ser um livro interessante e bem construído, de acordo com o que vemos na entrevista. Ao menos, por si só, o tema central da trama já desperta minha curiosidade.
    Abraços

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  3. Gostei bastante da entrevista. Confesso que a história do livro não me atrai muito, e eu não gostei nem um pouco de Se Eu Ficar, então dificilmente ia gostar do livro dele :/

    Beijos!

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  4. Não conhecia esse autor nem o livro, mas gostei da entrevista, é sempre bom conhecer um pouco mais sobre os autores da literatura nacional e seus livros.

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  5. Adorei o tema da história e ainda mais o título! Já estou louça para ler, ainda mais que é autor nacional.
    Sucesso para o Bolivar!

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  6. Olá!
    A entrevista ficou ótima!
    Não me interessei pelo livro, pois não gosto do gênero.
    É muito bom que os autores nacionais estão sendo cada vez mais valorizados e reconhecidos.

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  7. Nossa, adorei a entrevista e achei o autor muito sincero quando falou sobre a morte. Realmente é algo que muita gente evita falar, mas todo mundo sabe que é inevitável. Espero mesmo ter a oportunidade de fazer essa leitura, porque tenho a impressão de que ela vai me agradar bastante.
    Beijos!

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  8. Olá Kel! Sucesso ao autor e quando li 2ª Guerra Mundial perdi os eixos! Amo qualquer referência a essa época da história e vou ficar ligada quando ele terminar de escrever e lançar! Bjs

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  9. Oi!
    Eu me inspiro nas inspirações do autor também. Achei isso muito bacana.
    A breve descrição das personagens me deixou "curiosinha", hihi.
    Desejo muito sucesso ao autor!
    Beijos
    Blog Historiar

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  10. Olá!
    A entrevista ficou bem legal!
    É muito bom que os autores nacionais estão cada vez mais sendo valorizados e reconhecidos.

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  11. Bolívar é meu professor, é uma pessoa incrível e inteligentíssima, que merece que todos conheçam seu trabalho... (:

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