# Resenha 245 // A Menina que Contava Histórias

Difícil falar de um livro que te marca.

Adiei e adiei e adiei essa resenha, como sempre faço quando a leitura me surpreende. Eu ainda poderia adiar mais, é verdade, tem outros livros pendentes para serem falados por aqui. Mas eu preciso TANTO que vocês leiam Jodi Picoult, que acendeu o botão vermelho nesta resenha e aqui está ela, prontinha para ser lida com muito carinho por vocês.

Título: A Menina que Contava Histórias // The Storyteller
Autor: Jodi Picoult
Editora: Verus
Páginas: 490 
Livro cedido em parceria com a editora




Sinopse:  Neste romance, Jodi Picoult examina com elegância até onde estamos dispostos a ir para proteger nossa família e impedir o passado de governar o futuro. Sage Singer trabalha a noite toda, preparando pães e doces para o dia seguinte e tentando escapar de uma realidade de solidão, lembranças ruins e da sombra da morte de sua mãe. Quando Josef Weber, um idoso que participa do grupo de luto de Sage, passa a frequentar a padaria, eles começam uma amizade improvável. Apesar de suas diferenças, ambos enxergam um no outro as cicatrizes ocultas que as demais pessoas não veem. Tudo muda no dia em que Josef confessa um segredo vergonhoso e há muito enterrado — ele foi membro da SS na Alemanha nazista — e pede a Sage um favor impensável: que ela o ajude a morrer. O que ele não sabe é que a avó de Sage é uma sobrevivente do Holocausto... ou será que sabe? Se Sage concordar em fazer o que Josef pediu, enfrentará não apenas repercussões morais, mas talvez também legais. Com a integridade de seu amigo mais próximo manchada, ela começa a questionar suas suposições e expectativas sobre a vida e a própria família.



Sage Singer vem de uma família judia e estava na faculdade quando seu pai faleceu. Foi preciso muito empenho e apoio da sua mãe para que ela não desistisse dos estudos e conseguisse se formar. É então que após a sua formatura, um acidente de carro mata sua mãe também. Sozinha, Sage busca superar estas lembranças que insistem em se manter vivas em sua memória. Ela participa de um grupo de luto da Igreja e trabalha a noite numa padaria. Entre massas de pães e bolos, ela busca se esconder das pessoas. Ela tem a autoestima baixa, suas irmãs a culpam pela morte da mãe, ela namora um cara casado e em seu rosto ficou, permanentemente, a marca do acidente que matou sua mãe. Finalmente Sage consegue arranjar um novo amigo no grupo de luto, um senhor que todos na região adoram: Joseph, um professor de alemão aposentado. Porém, o senhorzinho fraco debilitado não é exatamente aquilo que Sage achava que fosse, ele confessa que foi um soldado da SS e pede a ajuda da menina para morrer. Porém, apesar de não ser uma judia “praticante”, a avó de Sage foi presa em um campo de concentração.

Cara, juro que isso tudo não tem nenhum spoiler, que é basicamente o texto de orelha do livro e ainda assim é informação pra caramba. O livro é uma pequena tora, quase 500 páginas de história. E que história!! Sou suspeita para falar porque eu adoro essa temática de Holocausto, Segunda Guerra. Mas eu nunca tinha lido um livro da autora. Não fazia ideia do que estava me esperando e qual não foi a minha surpresa quando eu me peguei chorando horrores com esse livro. Sim, eu, Kel Araujo. Aquela que enche a boca para falar que não chora. Quase nunca. Porque adora sofrer com um livro de drama e já está vacinada. Eu chorei muito com A Menina que Contava Histórias. O livro é, no mínimo, destruidor. Não só pela temática que aborda - fazendo um paralelo entre o presente e o passado da avó de Sage e de Joseph – o livro é destruidor pela forma como a autora escreve. 

Jodi é cruel e descritiva. Ela trabalhou tão em na pesquisa do livro, nos detalhes da abordagem que é como se estivéssemos na Alemanha Nazista. A realidade dos campos de concentração, a vida que deveria ser vivida não apenas um dia de cada vez, mas um minuto de cada vez, tamanha a maldade que existia naquele lugar. As justificativas dos “arianos” de que eles não estavam matando os judeus por maldade, mas para defenderem a si mesmos. É tudo tão crível, tudo tão cruel, é impossível ficar indiferente a esta leitura. Na verdade, é impossível não sentir os pelos dos braços eriçados e a cabeça latejando com tanta informação e tanta reviravolta.





Não, não esperem ler esse livro em dois ou três dias. Você não vai conseguir. E não é pelo fato da escrita ser complicada Na verdade Jodi escreve de uma forma muito simples e acessível. Mas a densidade da história é absurda. É tudo muito profundo e arrebatador. Fechei o livro umas quatro vezes porque, simplesmente, me recusava a ler aquele detalhe. Nunca tinha lido um livro sobre o Holocausto que fosse tão bom, tão real quanto este. E o pior de tudo é saber que ainda hoje existem simpatizantes do nazismo ou pessoas que acham que foi tudo uma conspiração e que Hitler sequer existiu. Vocês são loucos, tão loucos quanto o Führer ou negar um extermínio tão sério. 

Virei fã da autora depois desse livro. E mais fã ainda das suas reviravoltas. Se você acha que faltando 10 páginas para o livro acabar está tudo definido e correndo para  certo final, esqueça isso se a leitura envolve Jodi Picoult!!!! E se eu ainda mantinha os ares de “brutus não choram” quando o livro estava chegando ao fim, mesmo depois de ter chorado três vezes ao longo da leitura, terminei A Menina que Contava Histórias parecendo um bebê recém nascido.






















Depois de várias leituras mais ou menos no mês passado, achar Jodi Picoult foi fantástico e, claro, emocionante. O livro aborda com primazia os valores éticos do ser humano. Você ajudaria um senhor de 90 anos a morrer, mesmo se ele confessasse que foi um soldado nazista? Você o deixaria viver para que ele fosse obrigado a conviver ainda mais com o grande horror que cometeu ou acharia que o matando estaria vingando o seu povo? Ajudando um senhor a morrer você estaria minimizando a dor de um velho ou se igualando a ele como um assassino? As questões que a autora propõe são muito profundas e é difícil estabelecer o que é certo e o que é errado. 

Sage é sensacional. Impossível não se identificar com a personagem. As aflições dela tomam conta do livro e, consequentemente, da mente do leitor também. Joseph é aquele cara dubio. Você quer com toda a força achar que ele é um louco que está inventando todos os horrores que ele diz que fez. Mas aos poucos você começa a imaginar o quanto deve ser irônico um soldado da SS viver 90 anos para sonhar todas as noites com todas as maldades que ele já fez. Culpa eterna? Cabe a uma judia perdoar o que um nazista fez? Ou só Deus pode fazer isso? 

O livro é dividido em três partes: a primeira onde todos os personagens são introduzidos, a segunda, que é passada exclusivamente na Alemanha Nazista e a terceira que são, basicamente, os desdobramentos finais da história. 

Preparem-se para se surpreenderem e, claro, se emocionarem desde as primeiras páginas. A Menina que Contava Histórias é maravilhoso, só lendo para ter a dimensão da história, das reviravoltas.





19 comentários:

  1. Sua resenha me deixou muito empolgada com o livro e assustada de morrer desidratada também xD O livro conta uma época negra da humanidade e como já chorei muito em outros livros que abordam a Segunda Guerra, sei que não vou conseguir ficar com o rosto seco com este.
    Os dilemas morais que ele traz são interessantes e nenhum pode ser resolvido facilmente.
    A Menina que Contava Histórias está na minha lista e indicarei a uma amiga que tem fascínio por livros do tipo.
    Abraços

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  2. Bom dia Kel,
    Preciso dizer que o primeiro parágrafo da sua resenha me emocionou muito. Assim como você, eu também me identifico muito com livros que tem alguma relação com a Segunda Guerra ou algo relacionado. E também assim como você eu sou dura na queda e não é sempre que leio um livro que me faça chorar. Seus comentários me fizeram acreditar no quanto esse livro deve ser bom e completo, cheio de detalhes. Passei a ter uma certa admiração por peripécias também. Com toda certeza vou procurar para ler. Parabéns pela excelente resenha, beijos!
    Tão doce e tão amarga.

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  3. Oi Kel!

    Acho que nunca li uma resenha que me deixou mais animada para ler um livro do que esta! Achei a estória linda, e tenho certeza que vou me emocionar também... Na verdade não tem como não ficar tocado com livros que tratam deste tema... Enfim, preciso ler!

    Beijo :*

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  4. Bom apesar de ser um romance, a sinopse não me deixou animada, e apesar de na resenha você dizer que o livro é ótimo, este livro não faz muito meu tipo de leitura, talvez futuramente eu mude de ideia e resolva ler, mudando minha opinião sobre o livro.

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  5. Oi kel,
    ual, essa trama parece ser sensacional. na verdade todos os livros da autora parecem ser...
    já tentei ler um livro dela mas a história não desenvolveu muito bem para mim. não gosto muito de livros com essa trama de guerra e tudo o mais não me agradam muito, mas o que me deixou curiosa neste livro é o que se passa além dela...
    fiquei com dó da personagem, muito sofrida né? a questão do senhorzinho também... fiquei dividida =/
    espero um dia conseguir ler algo dela e espero que este ai me agrade ;~~

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  6. Amo drama, livro emocionantes é tudo o que gosto. E agora lendo sua resenha, me descobri, não li nada da Jodi, porém tendo uma obra completamente destruidora como esta, claro que achei o livro uma bem profundo. E com um bom assunto a abordar.

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  7. Ja estou apaixomada por esse livro. Infelizmente nunca li nenhum livro sobre o holocauto, nunca me interessei.. Mas esse livro parece simplismente fabuloso e a historia e incrivel, vou compra-lo o mais rapido possivel..

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  8. Bom apesar de a resenha ter sido super positiva e que o livro parece ser bom, não sei se eu leria, pois esses tipos de livros não me interessam muito, me passou um ar de ser sem graça, apesar de a resenha ter sido positiva sobre o livro.

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  9. Nossa!!! Já fiquei com olhos molhados (kkkkk) só de ler a resenha... aiai
    esse tema é bem complicado por si só e sempre me acabo de chorar qdo leio algo do tipo.
    Lembrei um pouco do Menino do pijama listrado e como chorei horrores!!!
    Gostei da resenha e já anotei esse livro aqui. Apesar de estar sem tempo pra ler e com muita leitura acumulada, vou colocar ele na lista e separar um tempo especial pra ele, pq como vc disse, não é uma leitura rápido. Apesar de ser triste, esse enredo me atrai bastante.

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  10. Kel menina, pelo amor de Deus, que resenha brilhante foi essa!!!???? Não conhecia o livro e apesar de estar evitando, no momento, ler dramas acabei ficando curiosa para ler esse livro tão elogiado, impactante e cheio de reflexões tão importantes.

    Amei a dica e parabéns pela leitura e pelo texto maravilhoso.
    Leituras, vida e paixões!!!

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  11. EITA!! Nunca sequer tinha ouvido falar do livro (ou da autora) Mas depois dessa resenha não tem como ficar indiferente!
    Sempre que venho aqui minha lista de livros desejados aumenta Ç_Ç

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  12. Eu estava procurando uma resenha deste livro e fiquei mega feliz de encontrá-la aqui ♥

    Sua resenha me trouxe um livro melhor do que eu esperava. Se eu tinha alguma dúvida antes de chegar aqui, ela acabou.

    Amei a resenha e vou amar a leitura com toda a certeza!!!

    Bjkssss

    Lelê - http://topensandoemler.blogspot.com.br/

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  13. Olha, se fosse só pela sinopse e pela capa eu não ficaria com vontade de ler. Adoro drama, mas morro de preguiça do gênero. Dá pra entender? kk Mas impossível não ficar curiosa depois da sua resenha. Fora que eu sempre me interesso pelo tema holocausto e nazismo. Com certeza darei uma chance pro livro.

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  14. eu não conhecia nem o livro e nem a autora e pense numa introdução!
    a sua resenha tá ótima (acho que valeu a pena todo o sofrimento para escreve-la) e valeu pelo aviso dos detalhes eu fiquei super curiosa para ler por causa da narrativa e dos paralelos de uma história hj e outra na guerra. e olhe que vc fez algo impressionante: fazer com que eu queira ler um drama, pois ultimamente eu tenho corrido longe de histórias que me fazem chorar.

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  15. Oi Kel

    Finalmente vc se rendeu e leu pelo menos um livro da Jodi Picoult eu amo essa mulher e sim ela foi a primeira autora que me fez chorar na vida lendo um livro foi com a Guardiã da Minha irmã e olha vendo o quanto você gosta de livros que falam da guerra vc deve ler Jardim de Inverno da Kristin Hannah vc tambem vai se emocionar amei sua resenha e agora vou incluir este livro na maratona literária de inverno quero me desidratar tambem kkk
    Beijos
    www.livrosechocolatequente.com.br

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  16. oi kel ^^
    gente eu não conhecia esse livro e fiquei encantada logo de cara. parece ser aqueles que enche a nossa mente a ponto da gente respirar o livro *---* to apaixonada pela sua resenha menina.
    apesar de não ser muito meu tipo de leitura fiquei curiosa demais com a leitura e o fato de levantar muitas coisas pra me fazer refletir me deixa mais empolgada para ler.
    espero ler qualquer dia desses.
    Seguindo o Coelho Branco

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  17. Se depois de ler a resenha ainda tinha alguma dúvida, o tanto de estrelas serve para reafirmar que é mesmo muito bom, né? Ainda não li nada dessa autora, mas já quero começar por esse, porque me encantei com a resenha, já que faz tempo que não leio algo profundo e arrebatador. Foi pra listinha!

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  18. Estou com esse livro na minha cabeceira. =D Vou começar a ler amanhã, rs Resolvi procurar a resenha para me colocar um pouco na história desde já... e simplesmente, adorei! Fui a livraria e olhei primeiramente o nome da autora...JODI PICOULT... quase nem li a sinopse direito e comprei, pq realmente ela é muito boa! Aliás, graças a essa autora, me apeguei aos livros e nunca mais parei... rs. Recomendo a todos lerem "O Pacto", este livro me prendeu ao vício da leitura... rs

    Obrigada pela resenha! Beijos.

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  19. Oi, Diva!!
    Eu não chorei.. até pensei em pegar os lencinhos, mas não cheguei a isso. kkkkkkkk.. Ainda assim a história me emocionou muito. É realmente fantástica. E o final? Meu Deus! Essa mulher é um gênio! \o/ Quero muito ler todos os outros livros da autora, parecem pegar bem esse viés de fazer o leitor pensar. Adorei.
    Beijo

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