# Mudando de Assunto // Entrevista com o autor Luis Fernando Amancio

Oiee, pessoal, tudo bem?

Quem ai gosta de ler contos? Eu adoro! Hoje o nosso entrevistado da coluna Mudando de Assunto é o Luis Fernando Amancio, autor da coletânea Contos de Autoajuda para Pessoas Excessivamente Otimistas, publicado pela Editora LiteraCidade. Hoje vamos conhecer um pouco mais sobre o Luis Fernando e, claro, sobre a sua obra


1) Como decidiu que seria escritor?
Nunca foi uma decisão. Quando eu era criança/ adolescente, não podia brincar fora de casa, pois morava numa rua muito movimentada. Também não podia jogar vídeo-game durante a semana, minha mãe tinha esse tipo de regra disciplinar. Então, ler foi uma opção de passatempo crucial, ajudando-me a não morrer de tédio – como muitos da minha geração, fui assíduo leitor da Coleção Vaga Lume, por exemplo. O exercício da leitura foi uma ponte quase natural para me arriscar escrever textos e não parei até hoje.
Fazer exercícios libera endorfina, uma enzima que nos faz sentir bem. Deve acontecer algo semelhante com escrever, sempre que termino um texto sinto um certo prazer.

2) Sua coletânea de contos foi sua primeira obra publicada. Qual é a sensação de ter um livro finalizado e já a venda?
A princípio eu fiquei bem apreensivo, com medo de não cumprir com as expectativas. A editora fez investimentos, os leitores, quando compram um exemplar, também o fazem. É um voto de confiança, uma responsabilidade, as pessoas acreditam que seu livro pode ser um bom companheiro. Mas o retorno que recebi até agora me fez desencanar a esse respeito. E é muito bom ver o livro pronto, as pessoas ficam mais interessadas em ler do que o texto postado na internet.


3) Como foi o processo de escrever os contos? 

Desde 2009 mantenho o blog wwsuicide.blogspot.com/ , que foi uma forma de não deixar os textos empoeirando no meu HD e compartilhá-los, principalmente com os amigos. Mas, nos últimos tempos, comecei a escrever contos e não publicá-los, pensando em reuni-los num livro. Muito se fala em inspiração como fonte da literatura, porém também é preciso reconhecer a importância da disciplina. Eu tinha horários reservados para escrever, o que foi fundamental nesse processo de criação. Então, em 2013, fiquei sabendo do Prêmio LiteraCidade – Jovem, que publicaria os primeiros colocados na editora que dá nome ao concurso. Achei que seria uma boa oportunidade e, aproveitando que o regulamento não exigia ineditismo, adicionei alguns contos do blog. Enviei o esboço de livro para o prêmio e tive a felicidade de ser um dos selecionados, o que rendeu a publicação dos “Contos de Autoajuda para Pessoas Excessivamente Otimistas”.


4) O que o leitor pode esperar de Contos de Autoajuda para Pessoas Excessivamente Otimistas?

Eu digo que, por mais que nós convivemos em sociedade, a vida é uma experiência solitária. Pois a gente vê o mundo, basicamente, do nosso ponto de vista, como um livro escrito em primeira pessoa. O que a literatura, assim como as outras formas de arte, faz, é nos provocar, nos colocando em contato com a subjetividade do outro, nos tornando, de certa forma, mais sensíveis ao que não percebemos. Acredito que é esse tipo de “provocação” que o leitor encontrará no meu livro. Boa parte das narrativas do “Contos de Autoajuda para Pessoas Excessivamente Otimistas” são histórias que você poderia encontrar num jornal, zapeando pela tv ou, simplesmente, observando as pessoas ao seu redor – só que tratadas literariamente. São textos que dizem sobre o cotidiano e, mesmo quando fantasiosas, dialogam com temas comuns aos leitores.


5) Você se acha uma pessoa excessivamente otimista? Se inspirou em alguma situação que tenha vivido ao escrever algum dos contos?

Não sou excessivamente otimista. O título do livro é uma ironia, funciona, de certa forma, como um primeiro miniconto da coletânea. As pessoas se esforçam em ser felizes a todo custo, em tentar ver a vida com otimismo inabalável. Mas excessos sempre são perigosos.
Sobre se inspirar em alguma experiência própria, acontece. O conto “Unha Lascada” talvez seja o melhor exemplo. Mas não é a regra. Sempre há com o que se inspirar, na própria vida ou numa notícia de jornal, na banco da frente do ônibus, em depoimentos de programa do João Kléber... Basta ter olhar apurado e não ter pudor na hora de enriquecer as histórias com a liberdade da ficção.

6) Qual é a mais dificuldade do autor nacional nos dias de hoje?
Em outros tempos, é possível que a resposta fosse a publicação. Hoje, não. Publicar está mais acessível, há plataformas de autopublicação, editoras que fazem isso em regime de parceria e, talvez a grande novidade, o formato digital, que vem ganhando espaço e reduzindo os custos para os envolvidos. O problema para o autor, entretanto, são as outras etapas para se alcançar os leitores: a divulgação e a distribuição. As grandes editoras, com estrutura para cumprir plenamente essas etapas, não saem por aí dando oportunidades para jovens autores. Para divulgar seu trabalho, o escritor nacional precisa ralar bastante. Não são tantos os espaços para divulgar seu trabalho e tem muitos bons autores por aí, de certa forma disputando a atenção.

7) Quais os planos para 2015?
Por enquanto, meu foco é desfrutar da publicação do “Contos de Autoajuda para Pessoas Excessivamente Otimistas”. Tenho me empenhado na divulgação do livro e tentando fazer da experiência de publicar uma forma de aprender mais. Avaliar com atenção esse processo será crucial para eu definir rumos para o futuro. Aos poucos, vou escrevendo material que deverá integrar o sucessor do livro. Mas com calma, atento para as oportunidades que possam surgir.

8) Deixe um recado para os leitores do blog.
Primeiro, gostaria de agradecer a Kel Araújo por colaborar na divulgação do livro. É ótimo ter espaço num blog que desempenha papel tão importante na difusão da literatura. Aos leitores do blog, digo que vê-los participando com tanta empolgação do “Por uma boa leitura” é um estímulo para qualquer autor. Houve um tempo em que se dizia que não se lia no Brasil, afirmação bastante furada. A literatura só existe com a leitura, portanto, enquanto escritor, agradeço a todos vocês. E, claro, os convido a lerem “Contos de Autoajuda para Pessoas Excessivamente Otimistas”. Talvez não seja um gênero que alguns de vocês estejam acostumados a ler, mas acredito que a experiência será boa. Ler um gênero diferente, um autor não conhecido, é um tipo de desafio que pode valer a pena. É sempre bom sair da nossa zona de conforto. Abraço a todos e muito obrigado! 

21 comentários:

  1. Adoro conhecer mais os autores nacionais, então gostei muito da entrevista. Ainda não tinha visto esse livro e depois de saber que o título funciona como uma ironia (que eu adoro), vou dar uma olhada nele. Não tinha o hábito de ler contos, mas agora estou fazendo isso e gostando bastante.
    Beijos.

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  2. Oi Kel, adorei conhecer o Luis Fernando. Me diverti com ele contando como começou a ler/escrever. Gostei da proposta do livro e do fato do título ser uma ironia. Desejo muito sucesso ao escritor, que mais portas se abram para ele!
    Beijos
    Porão da Liesel
    Fan page

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  3. Que legal, mais um autor nacional \o/ Apesar de eu estar dando bem mais atenção à literatura nacional, acho que esse livro não é pra mim. Contos de Auto Ajuda Para Pessoas Excessivamente Otimistas, o título já diz tudo hahaha Não sofro de excesso de otimismo, nem em mil anos :p Parece ser um daqueles livros que você compra pra dar de presente, é uma boa opção.

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  4. Gostei da entrevista Kel e também de conhecer um pouco mais sobre o autor. Assim como ele, também ingressei no universo das letras com a coleção Vagalume. Beijo!

    www.newsnessa.com

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  5. Gosto de livros que me provoquem e eu acho que "Contos de Autoajuda para Pessoas Excessivamente Otimistas" seria uma excelente leitura. Nunca li nada do autor, mas parece-me bem interessante a leitura.

    Beijocas,
    Blog | Youtube | Instagram

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  6. Oi, Kel!
    Quanto tempo eu não venho aqui, hein?! Estava difícil acompanhar os blogs que gosto ultimamente, mas já estou voltando de novo.
    Não gosto muito de livros de autoajuda, mas o tema desse livro de contos me chamou atenção. Achei interessante a perspectiva do autor.
    Adorei a entrevista.
    Beijos

    >> Vem participar do top comentarista de fevereiro. Está valendo um livro surpresa e um vale presente da Saraiva<<
    Construindo Estante || Facebook

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  7. Amo contos, mas não sou muito fão de auto-ajuda, mas acho legal a intenção de ajudar as pessoas. Acho muito bom ver que os autores brasileiros estão ganhando cada vez mais espaço.
    Sempre achei que o otimismo era uma coisa boa, mas é difícil quando não conseguimos o que queremos.
    Beijos

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  8. Oooi Kel!!

    Confesso que eu não leria pelo titulo da obra, gosto de contos, mas auto ajuda não me atrai muito.
    Mas com a entrevista, eu comecei a perceber que pode dar certo, o que eu gostei foi saber que o nome é meio que uma ironia, achei da hora isso hahahahah

    Acho que quando ele era mais novo deveria achar super ruim ficar em casa lendo além de jogar ou brincar na rua, hoje deve agradecer.
    Parabéns pela entrevista e agora vou deixar o livro anotado para ler em breve ;D


    Beijinhos,
    www.entrechocolatesemusicas.com

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  9. Oi Kel,
    não conhecia o autor nem seu livro ainda, mas adorei conhecê-los. o Luis parece ser bem simpático, e apesar de normalmente não ler muito este estilo de livro, fiquei curiosa.
    é bem ver que autores nacionais estão ganhando seu espaço no mercado daqui. espero que ele faça muito sucesso. parabéns ;D

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  10. Oi Kel! Adorei a entrevista e como ele começou a escrever haha Adoro conhecer mais de autores nacionais! Não é muito a minha praia na hora de escolher as leituras, mas claro que tenho que dar os parabéns pelo trabalho dele :) beijos Kel, http://www.trocandodisco.com.br/

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  11. Boa tarde,
    Como vai?
    Poxa,muito bacana seu post.
    Nos ajuda a conhecer mais autores nacionais.

    Beijos e se cuida
    www.rimasdopreto.com

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  12. Não conhecia ainda esse autor! Adorei a entrevista, só discordo um pouco quanto a parte mais difícil ser divulgar. Isso hoje em dia com o tanto de blogs se tornou bem fácil, agora, dinheiro pra publicar é outro assunto kkk

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/
    Tem post novo sobre os Multitalentos, vem conhecê-los!

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  13. Oi Kel, tudo bem?

    Não conhecia o autor. Gostei muito da entrevista e parabéns ao autor por ter conseguido publicar seu primeiro livro. Isso é muito importante e que seja um grande sucesso.

    Eu particularmente não gosto muito de contos por isso não sei se este seria um livro que eu leria.

    Beijos.

    http://livrosleituraseafins.blogspot.com.br/

    Participem do -- Top Comentarista de Fevereiro--

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  14. Oi kel

    Não conhecia o autor nem o livro, confesso que no primeiro momento não me senti atraída pela leitura, não gosto de contos porque normalmente nuca entendo o que o autor quer passar mas daria uma chance pois gostei muito do titulo.

    Beijos

    www.livrosechocolatequente.com.br

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  15. Oi, Kel! Conheço Luis Fernando e tive a oportunidade de ler "Contos de Autoajuda para Pessoas Excessivamente Otimistas. Os contos são daqueles que começam bem, tranquilos e até com graça, mas, no decorrer do texto, o leitor vai levando tapinhas de leve, cutucadas, empurrões... até que a coisa piora de vez, e o ingênuo leitor leva o fatídico soco na boca do estômago. Ele começa, então, a se questionar se a história do personagem não é a sua própria, se não está sendo omisso em sua vida, mesquinho... e por aí vai. Esse livro é um banho de água fria no otimismo careta e chato que nos empurram diariamente goela abaixo. Simplesmente ótimo!

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  16. Antes de assistir Glee, eu achava que ser otimista era um virtude, até conhecer a Rachel, isso chegava a ser irritante. Agora acho que tem uma dose certa de otimismo, esse livro é ótimo para dar de presente par os amigos.

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  17. Fico feliz quando vejo que o autor sabe da importância da divulgação com sua obra, e super necessária. Desejo sucesso ao autor. Quanto a livro parece ter uma pegada de autora ajuda, e eu sou meio avessa ao gênero, mas mesmo assim quem sabe um dia né?!

    =D

    Beijos,
    Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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  18. A questao da divulgação de livros nacionais eh realmente complicada.. Mas aos poucos os bons escritores conseguem conquistar seu espaço..
    O gênero do livro n é dos que leio bastante e sim de vez em quando.. Quem sabe eh o proximo..

    Forever a Bookaholic
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  19. Acho muito legal entrevistas com autores, sempre podemos saber mais um pouquinho deles, o que pensavam e queriam quando escreveram o livro. Confesso que auto-ajuda não é um gênero literário que curto, já até tentei ler alguns, mas sempre deixo o livro pela metade.

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  20. Muito simpático ele! Nunca tinha lido nada sobre, mas me interessei para conhecer seu livro!!!!
    Depoimentos do João Kleber kkkkkkkkkk
    Amo livros de auto-ajuda, porém, não tenho muita paciência, principalmente, porque esqueço os conceitos rapidinhos kkkkkk mas leio aqueles do Augusto Cury, que é mais que uma auto-ajuda, é essencial pra vida ♥
    e também alguns outros que surgem por aí!
    Mas esse não me parecem bem uma auto-ajuda, e sim, contos cotidianos que falam e mostram a realidade da vida, nossas frustrações em tentar melhor sempre, e acabamos por esquecem as coisas que valem a pena!
    bjoooos

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