# Mudando de Assunto: Entrevista com a autora e blogueira Vivian Pitança

Oiee, gente, tudo bem?

Pois é, hoje euzinha, Raquel irei comandar a coluna Mudando de Assunto. Com todo o respeito a nossa querida Monique Vasconcelos ;) Prometo que não vou abusar do espaço dela =P. Hoje a coluna tem um saborzinho especial porque a entrevistada é uma querida e o melhor, com um livro fresquinho fresquinho. Estou falando da Vivian Pitança, que muitos de vocês já devem conhecer do blog Reflexão Literária

Há menos de um mês a editora Andross publicou uma coletânea de contos chamada Sonhos Lúcidos e, entre eles, estava um conto escrito pela Vivian. Além da grande vitória, este é apenas o começo para a jovem escritora. Nesta entrevista vocês conferem as inspirações e até mesmo os planos para romance livro da nossa querida Vivian.


1) Como surgiu a ideia de escrever o conto Filhos do Fogo? Sobre o que ele trata?

Eu vi o concurso e achei uma boa oportunidade, para ingressar no mundo editorial, e para servir como avaliação para mim mesma, como um meio de eu saber se a minha escrita era satisfatória. Quando me inscrevi, faltavam umas duas semanas para o final das inscrições (sendo que depois foi prorrogado, mas considerei o primeiro prazo). Então eu pensei: "preciso de uma história boa e rápida. Mas eu tinha um problema: eu não lia contos. Nunca tinha lido uma antologia. Eu precisava ter uma noção melhor. Então fui até a estante e peguei um livro de Machado de Assis, de contos, que minha prima me emprestou. Li um deles e tive uma noção. Eu tentava pensar, pensar... Mas todas as histórias iam tomando dimensões muito maiores, eu não conseguia conter as palavras. Então optei por pegar um caminho mais curto. O conto tem boa semelhança com o mundo do meu livro, no início saiu do mundo dele, só que eu fiquei com medo de fazer algo naquele mundo e depois publicar em outra editora, e ter problemas com isso, entende? E eu também não queria explanar muito da história, mesmo que brevemente. Por isso não é o mesmo mundo, foi modificado, apesar de ter semelhanças. Então digamos que o conto tem um povo que tem inspiração na cultura cigana (assim como meu livro tem), que possui uma sabedoria inspirada em princípios nos quais acredito, dentro de outras doutrinas e tem a narrativa em primeira pessoa, para passar os receios da personagem, diante de um novo mundo de possibilidades, que é acordar numa praia, com um cenário encantado e ir descobrindo pouco a pouco que aquilo tem muito mais a ver com seu destino do que ela poderia esperar. E através dessas pequenas doutrinas que eles usam, se escondem alegorias, que podem passar boas mensagens aos leitores mais atentos. Principalmente se observadas por uma visão mais espiritualista.

2) Em uma frase, como você definiria o seu conto?

Um sonho Lúcido? - imagine minha expressão enigmática, dando ar de mistério.. (risos)

3) Quem visita o seu blog sabe que você costuma escrever textos por lá. Quais as suas inspirações?


São coisas que acontecem no dia-a-dia. Como me sinto em certos momentos. E em outros coisas que não acontecem comigo, mas que observo nas pessoas. É um meio de falar sobre algo, desabafando, de certa forma. Ultimamente os textos têm saído bem melancólicos, mas é porque foram escritos em momentos angustiantes, em que eu precisava colocar para fora, e a amiga mais próxima que achei foi a palavra. Através dela consegui me acertar com o mundo, me reequilibrar. 

4) Como você começou a se interessar pela escrita?


Sinceramente? Não sei. (risos) Desde antes de eu ir para a escola - leia-se jardim de infância - minha mãe me entusiasmava, falando como era legal. E eu ainda não sabia ler, mas ficava olhando a televisão, os anúncios, perguntando o que estava escrito, como se eu pudesse gravar aquele código e ir aprendendo. Sempre gostei de aprender, de me dedicar. E o carinho pela leitura também parece ser algo que veio comigo. Não sei explicar direito, porque não me recordo bem. Mas é uma espécie de vocação. Um carinho especial pelas artes (assim como dança, teatro, a palavra também é uma delas, certo?). Fui crescendo, e fazendo poesias nos meus cadernos de poesias, para falar das minhas frustrações, dos meus receios e das minhas decepções. Eu sentia e escrevia. Falava e o papel me ouvia, quando eu não queria que mais ninguém soubesse. Soa solitário? Talvez... Quando eu era mais nova eu era muito tímida e essa era a situação com a qual eu lidava, muitas vezes. Eu já tinha a noção de que alguns amigos não me acompanhariam, de que não gostavam de mim como eu gostava deles, e eu acabava confiando em poucas pessoas. Graças a Deus hoje está tudo bem e muito esclarecido! Encontro pessoas maravilhosas, com as quais tenho mais afinidade a cada dia que passa. Talvez, quando começamos a ser nós mesmos, de verdade e a nós permitir viver sem medos, indo atrás das coisas realmente boas para nós, a vida nos retorne com melhores oportunidades, situações e pessoas que seguem rumos semelhantes. 

Indo atrás de mim mesma, crescendo, fui percebendo mais e mais meu amor pela leitura, que também vem desde cedo. Por incentivo da escola, de casa? Talvez, mas acho que nem precisava, como eu disse, eu sempre gostei. Um dia me bateu a ideia de escrever um livro, e comecei, para ver no que dava, se gostava. E devo avisar aos que pensam em começar: é viciante! Creio que é um vício que vou levar para a vida toda.

5) Você está começando a escrever um livro. De onde surgiu a ideia de escrevê-lo? Pode adiantar algum detalhe da história?

Fui ao cinema com meu namorido assistir a um filme do Batman. Quando saí, tinha uma ideia, que me impulsionou a começar. Pensei no que estava acontecendo em nossas vidas naquele momento, em como inesperadamente, encontrei uma pessoa que eu nunca imaginava que seria capaz de criar laços definitivos. Mas a vida me surpreendeu e muito! Somos opostos, como os personagens do meu livro. E acredito que isso não seja por acaso, assim como não é para os meus personagens. Quis contar às pessoas que um homem pode mudar sim, que isso aconteceu comigo. Sim, pode mudar. Mas por ele mesmo. Nós não mudamos ninguém, podemos ajudar, incentivar, mas a verdade é que as pessoas nunca serão como queremos. Através desse livro eu quero fazer com que as pessoas entendam isso. Entendam que apesar das condições da vida, algumas vezes podemos encontrar um outro caminho, uma luz que nos tirará da escuridão, que nos fará crescer e amadurecer. Um amor que pode nos ajudar, para formarmos mais que um casal, formarmos uma dupla de amigos, acima de tudo. Essa mensagem e muitas, muitas outras (gosto muito de filosofias) vêm através de um romance fantástico, em que as fantasias também trazem alegorias em si. A mitologia, os mundos. Tento fazer tudo de acordo com o que acredito, sem colocar algo que seja descartável para mim, apenas para dar um enfeite. Para mim cada coisa tem um significado. e eu ficaria muito feliz se os leitores enxergassem isso ao ler. E também gostaria de dizer que estou simplesmente amando escrever. Sinto, algumas vezes, como se eu fosse leitora, apenas, e me pego suspirando nas cenas deles. Escrevo com o coração e a razão, e espero sinceramente que dê certo.

6) Você acredita que seus textos têm influência de algum escritor ou livros específicos? Quem? Quais?

Acredito que eles têm influência de tudo o que leio e já li. Se fosse citar algum, deveria com certeza não só citar um, mas muitos, que não conheço. Me refiro ao Livro dos Espíritos, por Allan Kardec. Muito do que acredito vem daí. E tem influência direta desses pensamentos. Também me encanto com romances de todos os tipos, e acredito que os que mais me influenciam são os que contém bad boy. Mas acredito que o Alex seja diferente deles (opa! Alex é o meu mocinho malvado e divo, desculpa). Ele tem todo um passado que justifica seu modo de agir, e fazem um grupo de segredos que rendem muita coisa. Para mim, Alex tem uma pegada irresistível, realmente diferente. Tentarei escrever sem mudanças de uma hora para outra na personalidade dele, porque sei melhor que ninguém que isso não tem nada de real, as pessoas não mudam de uma hora para outra. E isso, aliado ao charme incrível dele, às suas provocações e jeito que deixa todas curiosas, acredito que ele irá conquistar muitas leitoras, mesmo com suas imperfeições. E também não quero escrever uma mocinha, como o padrão: garota insegura, não se vê como é, desastrada, problemática demais... Íris tem seus problemas e tenta conviver com eles, mas tem seu tempo para lidar com as coisas também, e alguns fatos de sua vida são difíceis de aceitar. Ainda assim, ela não se diminui, nem chega ao extremo de ser arrogante e se pensar melhor que os outros. Ela é uma pessoa normal, eu acho, com outras maluquices especiais, que não incluem competição feminina descarada ou total insegurança como acontece nas histórias que costumamos ver por aí. Quero construir algo diferente. E em relação à influência da diferença, tem uma autora com a qual concordo nisso, a Eleonor Hertzog. Conversamos e concordamos que odiamos esses mimimis dos livros. Estamos cansadas! (risos). Tomei como desafio então, fazer algo que superasse as expectativas do habitual. Outra autora que me influencia diretamente é a Keila Gon. Ela é demais, super atenciosa, e nós conversamos muito também. A conheci, assim como a Eleonor, através do blog. A Keila sempre está ali, incentivando, sendo carinhosa e se mostra sempre empolgada também, sempre com um elogio. E isso é mais do que gratificante! É não só uma honra, como um grande prazer, poder conversar com alguém que admiro tanto e ter uma opinião positiva sobre algo que eu fiz. É revigorante.

7) Como você concilia a escrita do livro com a sua rotina?

Então... Qual a próxima pergunta? (risos) Essa é a minha maior dificuldade. Não sei se chego a conciliar. Estudo num colégio que toma grande parte do meu tempo, ainda tenho que ler, cuidar do blog e ter tipo assim: "uma vida". Escrevo quando me dá a louca da inspiração. Escrevo quando consigo tempo. Mas tem vezes em que consigo tempo e não escrevo. Mas prometo tentar me adiantar. As férias estão chegando e vou aproveitar para me dedicar mais ao livro.

8) Na hora de escrever você tem algum ritual específico? (por exemplo: você reserva um horário especifico para escrever, para escrever tem que estar com um café ao lado, etc.)

Amo a noite. Adoro escrever de noite. É o melhor horário. Tem mais silêncio, me concentro mais... É o melhor momento para mim. E escrevo com música, muitas vezes. Tanto que algumas até entraram no livro! Também fico ansiosa às vezes e acabo comendo algo. Se for algo que contenha chocolate então... Posso dizer que estou no meu paraíso particular. 

9) Como você se vê daqui há uns dez anos? Pretende seguir carreira de escritora?

Depois das surpresas que já tive em tão poucos anos, não sei. Queria muito ser escritora e só fazer isso da vida, mas é tão difícil conseguir isso! Quero me formar em produção editorial e o vestibular para mim, só ano que vem. Se conseguir, trabalho em alguma editora (sonhando com algumas aqui...), consigo contatos no mercado editorial, dinheiro para publicar (soube que é bem caro) e vou adiante! Se eu conseguir, ótimo, perfeito, maravilhoso. E claro, do lado meu Alex real, né? Nem preciso dizer isso. haha.

10) Poemas, contos ou romances: o que você prefere? E Por que?

Romances. Porque me fazem viajar mais, se desenvolvem mais. Mas também gosto muito de poesia. E contos.. Apesar de ter publicado um agora, estou começando meu contato com eles.

11) Ainda sobre o seu livro. Já pensou se ele será um volume único ou se terá continuação? Vai querer publicá-lo?


Queria que tivesse continuação. É muito amor por eles, sabe? Mas fiquem tranquilos porque não vou sair por aí escrevendo uns 25 livros da mesma história. Pelo menos acho... Nunca diga nunca... Claro que eu quero publicar! Como eu já contei nos meus planos. Acho que seria um dos melhores momentos da minha vida ter meu livro nas mãos, publicado. Um sonho!


E aí, gostaram da entrevista? Ficaram interessados em adquirir Sonhos Lúcidos, a coletânea de Contos que contêm um texto da Vivian? Então, entrem diretamente em contato com ela, através do fale conosco do Reflexão Literária e não se esqueçam de adicionar Sonhos Lúcidos da Andross no skoob 

13 comentários:

  1. Ameeeei, Raquel!! :D :D :D
    Ficou show!!
    Obrigada, obrigada e obrigada!!
    Estou encantada aqui!!


    Beijão!!

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  2. Ohhh Adorei conhecer um pouquinho mais de você Vivian : ) Desejo muito sucesso!!! SEMPRE!!! Vc merece : )
    BEIJOS BEIJOS BEIJOS

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    1. que privilégio ter Keila Gon por aqui!!!!! Vivian merece isso tudo e muito mais!!!

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  3. Muito legal saber mais sobre ela :)
    Desejo muita sorte com o livro novo, e sucesso, sempre! haha

    Beijos, Gabi Prates
    Palácio de Livros

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  4. Oi, pessoal do Por uma boa leitura!
    Parabéns pelo blog, adorei. E parabéns pela escolha da Vivian Pitança para a entrevista. Em minha modesta opinião, essa menina vai longe, vai dar muito o que falar! Realmente, nós duas concordamos sobre os tais mimimis nos romances atuais... O que não significa que não leiamos os referidos livros com os romances mimimis, kkkk!
    Estou muito ansiosa para conhecer o conto da Vivian, sua estreia na Literatura. Para minha satisfação, meu livro já está no correio! :D
    Sucesso sempre a todos, beijos,
    Eleonor
    www.eleonorhertzog.com.br

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  5. entrevista maneira
    beijos
    livro-azul.blogspot.com.br

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  6. Minha nossa, quantas respostas enormes, essa garota tem mesmo o dom da escrita (risos). Mesmo assim adorei cada uma dela, descobrir Alex e Íris, descobrir que a rotina alucinada de estudante não é só minha e que, entre nós, está florescendo um enorme talento!
    desejo todo sucesso para Vivian com Sonhos Lúcidos e todos os seus futuros livros.
    Super Abraço, Victor Rosa
    encantosparalelos.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Vivian se inspirou nesta entrevista huahuahuahua. E me deixou doida pra ler o livro dela.

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  7. Raquel, ótima entrevista. Perguntas muito bem elaboradas e coerentes, parabéns!

    Bjs, Isabela.
    www.universodosleitores.com

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  8. Adorei a entrevista Mo! Ficou muito boa e as perguntas foram muito bem elaboradas!

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