08 junho 2013

# Mudando de Assunto// Entrevista com o escritor Eduardo Ferreira Moura


Olá, leitores mais amados do Brasil!! O sábado está bom para vocês? Não o suficiente? Que tal ler a entrevista da coluna Mudando de Assunto de hoje para dar aquela animada??



Eduardo Ferreira Moura tem 24 anos, é estudante de Psicologia na UFRJ e autor dos livros "Esposa Perfeita" (2011) e "Meus Textículos" (2012), os dois pela Editora Multifoco.

Vamos conhecer mais sobre Eduardo nessa entrevista muito bem-humorada??


Eduardo, quando você percebeu que você o seu talento para escrever?
Ainda não percebi. Comecei a escrever com doze ou treze anos, não por uma questão de talento, mas porque havia alguma coisa aqui dentro que precisava sair. Essa coisa manifestou-se com a escrita. Podia ter sido com a pintura, com o bordado, sei lá, mas foi com a escrita. Não sei te explicar porque. Eu escrevo porque não tem jeito. Não consigo imaginar a vida sem isso.
(como você pôde reparar aí em cima, eu não dou a mínima para a regra dos porques, já que não vejo sentido nela. Também ignoro a nova ortografia. Mas sinta-se livre para um copidesque antes de publicar, se preferir, ok?)

Podemos dizer que a internet foi um facilitador na divulgação dos seus contos e dos seus livros?
Na divulgação dos contos, dos textos em si, sem dúvida. A maioria das pessoas chega até mim através dos sites e blogs pra onde escrevi/escrevo. Já no caso dos livros, não fiz uma divulgação efetiva pela internet. Em verdade, no caso dos livros, não fiz uma divulgação efetiva. Escrever é mais importante do que publicar, mas é preciso publicar pra se dar conta disso.

Dos contos e crônicas nos blogs aos livros: qual foi o caminho? Você começou a escrever seu primeiro livro por hobby (escreveu, escreveu e quando viu o livro estava pronto) ou já estava levando a sério, pensando em publicá-lo?
Quando escrevi meu primeiro livro já escrevia há muito tempo. Inclusive outros livros, que ainda não deixaram a gaveta. Mas romances e contos não foram excludentes no meu caso. Transito entre os dois mundos, na medida do possível. O percurso foi o seguinte: depois de alguns anos publicando na internet, ouvindo críticas positivas e negativas, concluí que alguns materiais tinham qualidade para deixar a gaveta e mesmo a tela do computador. Reuni esses materiais e enviei para algumas editoras. Então, nada aconteceu. Mas dali alguns meses uma editora me respondeu, interessada em publicar o "Esposa". Por isso ele foi o primeiro.

Você ganhou vários prêmios literários. Qual é o prêmio que considera de maior importância? Por quê?
Não foram tantos assim! Acho que todos eles são importantes no sentido de serem uma iniciativa de incentivo à escrita e, talvez consequentemente, à leitura. Fiquei especialmente feliz com o último deles, o Prêmio Brasília é uma Festa. Eram muitos concorrentes, uma premiação gordinha e um tema com o qual não tenho muita afinidade, ainda mais para escrever crônica, que é um gênero que não tenho praticado. Ainda assim, venci. Isso é o que há de bacana sobre esses concursos: o inesperado. Naqueles em que você acha que tem o júri no bolso, está afinado com o gênero e com o tema, nem se classifica para a antologia. Naqueles em que envia o trabalho apenas para valorizar o esforço empreendido durante a escrita, acaba vencendo. Aliás, também fiquei particularmente feliz por ganhar, em dois anos consecutivos, o Histórias de Trabalho, em Porto Alegre. (Embora esse ano tenha optado por não submeter texto algum).

Reparei que você ganhou prêmios em vários estados, você chegou a morar fora do Rio de Janeiro? Como descobria os concursos literários?
Não suporto viajar. Não conseguiria morar uma semana fora do Rio de Janeiro. Esses concursos, quando idôneos, são uma maneira eficiente para que escritores desconhecidos mostrem ao mundo literário que estão por aí. Há muitas comunidades, grupos e blogs fomentados por esses escritores, onde cada um divulga os concursos de que tem conhecimento. Entre outros, indico o excelente trabalho que vem sendo feito na página: http://concursos-literarios.blogspot.com.br/

Do que trata seu livro “Esposa Perfeita”? O título seria uma ironia por você ter casado duas vezes e dizer que não casa mais? Rs
Olha, é necessário esclarecer de cara que revi meus pontos de vista, devo me casar de novo, em breve. Eu acho. Mas "Esposa Perfeita", enquanto título é sim uma ironia. O livro é sobre um sujeito comum, casado, funcionário público, que um dia desconfia que está sendo traído. Começa a investigar e, em determinado ponto de suas investigações, vislumbra a possibilidade de que sua mulher, de fato, nem exista.

O que seria pra você a esposa perfeita? E para seu eu-lírico? Rs
A esposa perfeita, para mim ou para qualquer sujeito, é sempre a próxima. Para o meu eu-lírico em especial, acho piegas esse suspense barato, mas não tem jeito: só lendo o livro...

O livro está esgotado, correto? Esperava esse sucesso todo?
Sim, está esgotado. Mas não associo isso a algum sucesso. Quer dizer, algum sucesso houve. Mas nada demais. Sinceramente, acho que está esgotado porque a tiragem não foi isso tudo. Não que tenha sido pequena também. Acho que foi exatamente do tamanho do público que eu esperava alcançar. Depois de publicar também aprendi que são muito mais importantes os releitores do que os leitores.

E o livro “Meus textículos”, muita gente se surpreendeu com o título dúbio?
Sim, há piadas até hoje. Não que goste desse livro, mas gosto mais dele que do "Esposa". E tenho certeza de que no caso de uma futura publicação, vou gostar mais dela que do "Textículos".

Seu livro “Meus textículos” tem uma dose de humor? Fale-me sobre ele, por favor.
Sabe que eu não sei? De verdade, espero que sim. Mas ele não tem asas, como os livros de humor. Não sei se é assim com as outras pessoas do mundo, mas quando leio um livro de humor, ele parece ter asas e sair voando por aí. Bem, talvez o "Textículos" até tenha asas, mas definitivamente não consegue sair voando por aí. Fica batendo suas asinhas inutilmente, imerso em um mar de lama chamado tragédia, tentando alçar um voo impossível.

Como está o retorno do público? O livro tem grande aceitação assim como o “Esposa Perfeita”?
Também esgotou, com tiragem pouca coisa maior. Não sei exatamente o que é uma boa aceitação. Na verdade, acho que agora muita gente me odeia...

Onde podemos encontrar seus livros? Livrarias? Internet?
Não podem mais encontrar, na verdade. Tudo esgotado. No caso do "Textículos", há contos do livro espalhados pela internet, especialmente na minha página do Obvious. Encomendando na editora, talvez seja possível. Ou até em  bons sebos, talvez.

Mais livros virão?
Mais livros estão sendo escritos, sempre. Não sei se publicados da maneira convencional. Aprendi a confeccioná-los, e tenho um ateliê engatinhando. Daqui um tempo a ideia é que eu possa fazer, de fato, meus próprios livros. Segue um pouco do meu trabalho nesse sentido: https://www.facebook.com/ateliejasmimmanga

Você acredita que seus textos têm influência de algum escritor ou livros específicos? Quem? Quais?
Fico meio assim de responder essa pergunta. Do ponto de vista literário (bem como de qualquer outro) estou muito, mas MUITO longe dessa gente. Mas Nelson Rodrigues, Bukowski, Woody Allen - é um excelente contista! -, Machado de Assis, Rubem Fonseca, Camus e Gabriel Garcia Márquez, jamais deixaram minha mesa de cabeceira.

Seus personagens são inspirados em pessoas ao seu redor? Pode citar algum?
Há personagens e personagens. Alguns, sim, são inspirados em pessoas reais. Outros, simplesmente, não. Estou trabalhando - há meses, diga-se - em um conto sobre uma moça casada com um narrador de futebol. Seu fetiche é traí-lo com a tv ligada no jogo enquanto ele está lá narrando. Claro que é tudo ficcional, mas o personagem do narrador é baseado em um narrador mesmo.

Em quanto tempo em média você escreveu seus livros?
Eu escrevo a primeira versão bem rapidinho. Semanas ou meses. Mas trabalho por anos, dois ou três em cada um, para torná-los publicáveis, sob meu prisma.

Fora escrever, o que mais você faz? Continua na faculdade de Psicologia?
Estou eternamente lá. Inventaram que pra se formar é necessário ir às aulas, o que eu raramente faço. Fora isso, estou nesse projeto que mencionei, o Jasmim Manga, encadernando. Já há alguns anos, minha vida gira em torno dos livros. Só que às vezes por dentro, às vezes por fora... 
Foi um prazer! Fica à vontade pra outras ocasiões ;))

Participações em concursos literários: 
  • IX Prêmio Barueri de Literatura, Barueri - SP: segundo lugar, não me lembro com o conto Larissa, Amor e Sorte
  • 8o Concurso Literário Mário Quintana, Porto Alegre - RS: segundo lugar com a crônica Deitando os Cabelos
  • Concurso de Literatura Brasília é uma Festa, Brasília - DF: primeiro lugar com a crônica A Brasília dos Meus Recortes
  • II Concurso de Microcontos de Humor, Piracicaba - SP: selecionado com o microconto Invento
  • XIX Concurso Histórias de Trabalho, Porto Alegre - RS: selecionado para a coletânea da 58ª Feira do Livro de Porto Alegre o conto Braço Mecânico (de novo!)
  • XIX Concurso Histórias de Trabalho, Porto Alegre - RS: selecionado para a coletânea da 58ª Feira do Livro de Porto Alegre o conto Ninguém
  • III Concurso Literário Pérolas da Literatura, Guarujá - SP: primeiro lugar, não me lembro com qual conto.
  • Concurso Nacional de Crônicas Altair Bail, Ponta Grossa - PR: primeiro lugar com a crônica Pós-Socrático
  • Concurso Nacional de Crônicas Altair Bail, Ponta Grossa - PR: menção honrosa com a crônica Notas de um Velho Sem Câncer
  • I Concurso de Contos Machado de Assis, Sorocapa - SP: terceiro lugar com o conto Capricho.
  • X Jogos Florais, Aviz - Portugal: menção honrosa com o conto Braço Mecânico
  • 3o Prêmio Literário Legislativo, Caçapava do Sul - RS: menção honrosa com o conto O Ministério da Saúde Adverte


Ps.: Na primeira resposta deixei os "porques" como Eduardo escreveu! Se Eduardo não liga para as diferentes formas de escrever "porque" não sou eu que vou alterar como ele escreveu, né? ;)

E aí, gostaram da entrevista?? Eu adorei as respostas! E vocês?

Até semana que vem! Beijoos

10 comentários

  1. Monique, parabéns por mais uma entrevista de sucesso.
    Sempre muito bom conhecer escritores novos. E o que mais me deixa feliz é por ser sempre nacional!
    Viva a nossa literatura brasileira!

    Realmente.. "Meus textículos" é um título bem legal para um livro. Com certeza teve piadas, é assim mesmo.

    Adorei conhecer!

    Beijos e um ótimo final de semana, Lu
    http://luizando.blogspot.com.br

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    1. Obrigada, Lu!
      Temos que prestigiar gente nossa, né?
      Mas quem sabe um dia a gente não dá voz a um gringo? rsrs
      Eu achei esse título genial! hahaha

      bjoos

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  2. que blog liiiindo, amei a entrevista. Assim como ele publicou os livros dele, tenho o sonho de publicar os meus *-* Amei aqui seu cantinho, já estou seguindo.

    http://devaneiosdeuma-adolescente.blogspot.com.br/2013/06/quais-sao-seus-sonhos.html#comment-form

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    Respostas
    1. =D Que bom que gostou do nosso blog e da entrevista!!

      Publica!! Aí depois te entrevisto aqui!! rsrs

      bjoos

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  3. Legal, eu ainda não conhecia o autor nem seus livros, adorei a entrevista!

    xoxo
    http://amigadaleitora.blogspot.com.br/

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  4. Eu não conhecia o autor, mas eu adorei essa entrevista!! Melhor ainda é descobrir que existem pessoas nesse mundo que não entendem o uso do "porque" e que renegam a existência da nova ortografia, super me identifiquei haha Com certeza irei procurar saber mais sobre os livros dele, ótimo post!
    Jéssica - http://lereincrivel.blogspot.com.br/

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    1. Que bom que você gostou da entrevista, Jéssica!!

      ahaha eu já sou mais caxias em relação a ortografia. Quando começou a nova ortografia eu corri para estudar as novas regrinhas! rsrs

      bjoos

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  5. Adorei a entrevista. Algumas respostas achei engraçadas. Obrigada por ter dado uma passadinha no mu blog, e em retribuição lhe mando uma tag.

    Beijos.

    alolatemumblog.blogspot.com

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    Respostas
    1. Ebaa! Fico feliz que tenha gostado da entrevista, Paola!
      bjoos

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