# Resenha 22 // Noite na Taverna e Macário


Olá, meus bons leitores! Como passaram o Dia das Mães? Aqui foi tudo ótimo graças a Deus!

Hoje pela primeira vez vou escrever uma resenha para o nosso blog. Acho que já estava mais do que na hora, né? Por enquanto estive tomando conta apenas da coluna "Mudando de Assunto"  e uma vez fiz o "Top Sunday". Chegou a hora de ajudar a Raquel nesse compromisso com a boa literatura!

Para começar bem escolhi um livro de um grande ídolo meu, mas que eu nunca havia lido sabe-se lá porquê. O autor em questão é Álvares de Azevedo e o livro é um dois em um, "Noite na Taverna" e "Macário"!

Já falei do Álvares aqui na "# Tag: Quais os seus hábitos de leitura?". Sempre o apreciei como poeta do ultra-romantismo, Mal do Século (2ª geração do romantismo). Foi um caso de amor à primeira vista quando vi seus poemas em um livro de literatura do colégio, aí não parei mais de procurar a respeito de seus poemas e sua história de vida. Sabia (ou sei) de cor alguns versos do amável poeta. Mas tinha parado por aí, sabia do que se tratava "Noite na Taverna" e "Macário", mas não me agradava nenhum pouco na época. 

Álvares ou, como os "íntimos" chamam, Maneco (seu nome é Manuel Antônio Álvares de Azevedo), tinha dois lados bem opostos na literatura e eu na minha tenra infância não queria aceitar isso. Nos poemas ele era um romântico demasiado, que amava uma bela e pálida virgem inacessível, escrevia sobre o tédio eminente da vida e tinha a ideia fixa da morte (talvez porque soubesse que sua hora estava chegando, já que estava com tuberculose. Ele acabou morrendo aos 21 anos). 

Já como contista, Álvares apresentava seus personagens como boêmios, envoltos a orgias, charutos e vícios. Na época eu queria acreditar que o verdadeiro Maneco era puro como em seus poemas e não um depravado como nos contos, então preferi não ler. Hoje mais madura senti a necessidade dessa leitura. 

Como eu pude esse tempo todo dizer que meu ídolo era o Álvares de Azevedo sem conhecer sua obra completa? Poser! rsrs Uma amiga, Gabriella Alves, deu uma ajudinha e me presenteou no último Natal com esse livro que vocês vão conhecer agora! Muito obrigada, Gabi!

Título: Noite na Taverna e Macário
Autor: Álvares de Azevedo
Editora: Saraiva




Sinopse: Nos contos reunidos em “Noite na taverna”, os personagens, transtornados pelo vinho, amaldiçoam todos os princípios humanos para narrar fatos estranhos de seu passado. Os relatos constituem uma torrente de sentimentos e loucuras que nos remetem às mais arrebatadoras tragédias de Shakespeare. Dividida em dois episódios, A obra Macário não é facilmente classificável em um único gênero literário, E mistura características do teatro, da prosa narrativa e da intimidade própria dos diários pessoais.






Insegurança. Essa foi a sensação que senti lendo o primeiro capítulo de "Noite na Taverna". Explico porquê. Eu tinha a OBRIGAÇÃO de gostar, gostar não, AMAR esse livro. Se isso não acontecesse ia acontecer que nem a Maísa, meu mundo ia cair. Não é exagero. Imagina você passar anos da sua vida admirando uma pessoa, recomendando ela para várias pessoas e quando você vai ler um livro dela "novo" vê que ela não era isso tudo que você sempre pensou, que você devia ter lido a obra toda dela há mais tempo para poder dar seu parecer. 

Ufa, passada a Introdução me acostumei com a leitura e voltei a me apaixonar pelo Álvares. Agora esse Álvares era um cara totalmente diferente, meio malucão, mas ainda assim apaixonante. 

O primeiro capítulo dá a ideia que a leitura será massante, e olha que eu sou uma pessoa bem acostumada com leituras ditas massantes. Você fica meio confuso nos diálogos porque você ainda não conhece os personagens e com o linguajar típico da época (séc. XIX). No segundo capítulo em diante, quando os convivas narram seus contos é que a história realmente ganha vida. Você não só passa a entender as histórias de cada um, mas a decifrá-las. Cada capítulo é dedicado a uma história única.

Álvares fez bem em começar os contos com o Solfieri e sua história não tão traumática, porque assim choca menos, vamos nos acostumando com os absurdos da história de cada boêmio naquela taverna. Tudo bem, a  história de Solfieri tinha morte no meio, e pior que isso, indícios de necrofilia, mas nada que não "piore" no decorrer do livro! rs

Os demais boêmios presentes à mesa também contaram seus contos (pleonasmo): Bertram, Gennaro, Claudius Hermann e Johann. Cada história que passa é mais chocante que a outra. A idolatria à mulher amada (histórias macabras), a morte violenta e a bebida são temas frequentes. Há um caso até de canibalismo e outro de incesto, mas não vou contar detalhes para não perder a graça para quem for ler. Não recomendo para quem não tem estômago pra isso! Pense positivo, é tudo ficção (até onde sei rsrs).

O livro é muito bem construído, uma coisa se encaixa na outra. O último capítulo é um desfecho real de uma história narrada por um deles em meio a conversa. É emocionante e totalmente inusitado.

Acaba "Noite na Taverna" e começa "Macário". 

"Macário" me fez lembrar um diário de bordo com diálogos. E que diálogos. Uns dizem que é uma peça teatral, outros que é um diário íntimo e outros ainda dizem que é uma narrativa. Cada um denomina como bem entender, porque o livro só foi publicado após a morte de Álvares de Azevedo. Ele faleceu em 25 de abril de 1852 e o livro foi publicado em 1855.

Macário, o personagem principal, um estudante dado aos prazeres da carne, da bebida e do charuto, dialoga com o Satã, e acha isso super normal. Confesso que quando comecei a ler isso arrisquei parar a leitura, porque achei ridículo a princípio e porque sou católica. Mas vá, tive que ler. Eu não podia mais viver a farsa de ser fã de quem eu não conhecia realmente. Li com pé atrás, mas li. 

"Macário" se passa em dois episódios. No primeiro, o jovem estudante chega numa taverna para passar a noite e começa a conversar com um estranho. O estranho revela ser Satã e leva-lhe a uma cidade (possivelmente São Paulo, não fica claro, mas a referência está lá) de devassidão, povoada por prostitutas e estudantes, onde Macário tem uma alucinação envolvendo sua mãe. Macário então acorda na pensão e a atendente reclama que ele dormiu comendo. O rapaz acha que foi tudo um sonho, mas eles veem pegadas de pés de cabra queimadas no chão, o que fica claro que sonho não foi. 

No segundo episódio, passado na Itália, Macário e outros estudantes aparecem em cena, confusos, deprimidos e em busca do amor puro e virginal. Penseroso, seu amigo, acaba matando-se por amor enquanto Macário está bêbado. A história acaba com Macário sendo levado por Satã a uma orgia em um bar, algo remanescente de "Noite na Taverna".

Louco, não? Espero não ter assustado vocês com a resenha de hoje. Raquel costuma ser mais boazinha! rsrs Vou dar quatro estrelas! Não foi o melhor livro que li, mas valeu muito a pena! Quem sabe se ler mais uma vez eu dê cinco estrelas? Vai saber! A gente muda a cada minuto!



Depois disso tudo o que tenho a dizer que continuo, sim, a ser fã do Álvares de Azevedo, mas não o vejo da mesma forma que antes. Mas foi boa a experiência. Só me pego pensando como o escritor realmente era: bonzinho ou depravado? Ou nenhum dos dois? Meio termo talvez? Acho que nunca vou saber. Bendito ou maldito eu-lírico! rs



Espero que tenham gostado da resenha de hoje! Comentem, comentem!

Beijão

14 comentários:

  1. Bela resenha...Não sou muito fã dos clássicos.
    Esse não seria uma a ler por mim, poderia ler mais demoraria anos para concluir a não se a leitura me prendesse.
    Mais voce pode ser fã e não um livro do autor, vc tem esse direito, não é pecado :D
    Parabéns pela ótima resenha está perfeita ^^
    Brubs
    Livros de Cabeceira

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    1. Obrigada, Brubs!
      Que bom que você gostou!!
      Mas dá pra ler rapidinho esse livro...eu li em um dia...

      bjoos

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  2. Oiee..Alvares de Azevedo é o cara..pelo que falam dele.

    Ótima resenha..

    Passei também para dizer que tem selinho de campanha para voce em meu blog, da uma conferida e se gostar aceita, ta bom?

    Beijos
    livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

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    1. É o cara, sim, com certeza! rs

      Que bom! Obrigada!! Vou ver, Leticia!!

      bjoos

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  3. Nunca li nenhum livro do autor, e confesso que não tenho interesse na escrita do mesmo (por favor não me odeie), mas não consigo ler livros tão profundos :p

    Mas isso não significa que eu não o admire, pelo contrário, admiro muito, só não curto.

    http://soubibliofila.blogspot.com.br/

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    1. Não te odeio, mas acho que você devia ler! rsrs

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  4. Oiee Parabéns pela resenha que ficou ótima e também por ler esse livro eu com certeza não leria e se lesse não conseguiria acompanhar a história rsrs

    Beijos

    Andressa
    http://livrosechocolatequente.blogspot.com.br/

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    1. Muito obrigada, Andressa!
      Claro que conseguiria! rsrs
      bjoos

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  5. Ótima resenha Monique! Principalmente por falar de um livro que não é muito lido pelas pessoas, tenho certeza que algumas pessoas irão se interessar! É sempre bom ser eclético e ler os mais variados tipos de livros, sem preconceitos!

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    1. Obrigada, Bruno!!
      Concordo com você!
      As vezes a gente acaba se surpreendendo com um livro que a gente espera que não vai gostar...
      bjos

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  6. Parabéns Monique, pela resenha, muito importante e oportuna, nesse momento em que a banalidade toma conta perversamente do nosso país. Como te disse gostar de Álvares de Azevedo não é para qualquer um. Beijos

    Artur Gomes

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  7. Vc pode me falar o perfil psicológico dos personagens ???? Ou como eles eram e sua características. Por favor

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