27 julho 2016

# Resenha 369 // Talvez um dia

E aí, galera, beleza?

Às vezes fico me peguntando o que seria de mim sem essa mulher maravilhosa chamada Colleen Hoover. Sim, porque ela é perfeita e escreve como ninguém. Cada livro é um close mais certo que o anterior. E "Talvez um dia", meus amigos... que livro! Li em maio e estou de ressaca até hoje. Leiam a resenha e depois corram para ler o livro.


Título: Talvez Um Dia // Maybe Someday
Autor (a): Colleen Hoover
Páginas: 368
Editora: Galera Record



Sinopse: Aos vinte e dois anos de idade, Sydney está desfrutando de uma grande vida: Ela está na faculdade, trabalhando em um emprego estável, apaixonada por seu maravilhoso namorado, Hunter, e é colega de quarto de sua melhor amiga, Tori. Mas tudo muda quando ela descobre que Hunter está traindo ela e ela é forçada a decidir qual será seu próximo movimento. Logo, Sydney encontra-se fascinada por seu vizinho misterioso e atraente, Ridge. Ela não consegue tirar os olhos dele ou parar de ouvir o jeito que ele toca seu violão todas as noites em sua varanda. E há algo sobre Sydney que Ridge não consegue ignorar, também. Após seu encontro inevitável acontecer, Sydney e Ridge encontram-se necessitando um do outro em mais do que uma maneira.



Abrir um livro novo da Colleen Hoover é sempre uma caixinha de surpresa. Não que eu não saiba o que me aguarda. Em linhas gerais, sempre me preparo para uma história que apresente um bom casal de protagonistas em um embate profundamente balanceado entre o drama e o romance. Mas, a cada livro que leio ainda me surpreendo com a profundidade dos personagens, a beleza da escrita da Colleen (que parece sempre superar os limites da perfeição) e as lições que acabam ecoando na minha cabeça, mesmo que eu já tenha finalizado a leitura há semanas.

Em maio chegou às livrarias pela Galera Record “Talvez um dia”, livro que conta a história de Sydney. Sua vida vira de pernas para o ar quando descobre que seu namorado a traía com sua melhor amiga (e companheira de apartamento). Irritada e sem ter para onde ir, ela acaba aceitando o convite de Ridge para passar temporada em sua casa. Ridge mora no prédio ao lado e a música é o elo entre os dois. Ele toca violão todos os dias na varanda enquanto ela costuma acompanhar a melodia e, muitas vezes, rascunha algumas letras. Sem nunca terem se falado, mas cientes de suas presenças a poucos metros um do outro, Ridge toma a iniciativa e pede a ajuda de Syd. Ele é o compositor da banda do irmão, mas, graças a um bloqueio criativo, não consegue manter o ritmo de produção. Sydney é a solução que procura e pode ajudá-lo a dar vida às melodias.

Muito além de apenas um bom enredo, “Talvez um dia” dá aos personagens uma trilha sonora densa que os acompanha, literalmente, ao longo de toda a obra. Isso porque Colleen Hoover firmou parceria com o cantor e compositor Griffin Peterson e ambos compuseram as músicas presentes no livro. A sensibilidade de Colleen somada ao talento inegável de Peterson resulta em letras ternas que dão à “Talvez um dia” um inesquecível ritmo cadenciado com nuances do country music.

A experiência é incrível. As músicas me ajudaram a mergulhar de cabeça no mundo de Syd e Ridge, como se os personagens existissem de verdade e estivessem bem ali, do meu lado. Impossível ler sem cantarolar ou ouvir as músicas sem relembrar o amor puro do casal. Está tudo intrinsecamente interligado. Destaque para “I’m in trouble”, que, assim como o título sugere, me deixou totalmente encrencada com este livro. Encrencada porque agora não consigo parar de pensar nele, que se tornou um dos melhores que li este ano. Encrencada porque o li em uma madrugada e já estou com saudades da história.

Sabe aquele aviso lá em cima de ressaca literária? Pois é. Depois de “Talvez um dia” foi muito (para não dizer) impossível, me apaixonar por outro livro.  Esta é, sem dúvida, uma das melhores histórias que li na vida. Posso ser suspeita para falar, uma vez que não nego o meu fascínio pela autora. Mas tá aí um livro que todo mundo deveria ler. Não sei se é o melhor da Colleen, porque eu também amo Sem Esperança, mas não consigo me lembrar de algum outro livro que tenha me deixado com uma ressaca tão ruim quanto este. 

É impressionante o quanto a Colleen consegue ser tocante e sincera no que ela escreve. Você esquece que está diante de uma história de ficção e quer, com toda a sua força, que tudo aquilo seja verdade. Ridge é fascinante.  Tá aí um livro que eu nunca vou esquecer. 

E as músicas? Estou escutando enquanto escrevo este texto, ao mesmo tempo em que acompanho a letra bem baixinho, para não atrapalhar as colegas da equipe.



22 julho 2016

# Resenha 367 // Loney

Oi pessoal, tudo bem?

Como prometido, hoje tem resenha de Loney Para quem não sabe, esta semana a Intrinseca organizou um especial bem bacana sobre o livro, que é uma das apostas da editora para este mês.


Título: Loney // Loney
Autor: Andrew Michael Hurley
Editora: Intrínseca
Páginas: 301
Livro cedido em parceria com a editora



Sinopse: Quando os restos mortais de uma criança são descobertos durante uma tempestade de inverno numa extensão da sombria costa da Inglaterra conhecida como Loney, Smith é obrigado a confrontar acontecimentos terríveis e misteriosos ocorridos quarenta anos antes, quando ainda era criança e visitou o lugar.
À época, a mãe de Smith arrastou a família para aquela região numa peregrinação de Páscoa com o padre Bernard, cujo antecessor, Wilfred, morrera pouco tempo antes. Cabia ao jovem sacerdote liderar a comunidade até um antigo santuário, onde a obstinada sra. Smith crê que irá encontrar a cura para o filho mais velho, um garoto mudo e com problemas de aprendizagem.
O grupo se instala na Moorings, uma casa fria e antiga, repleta de segredos. O clima é hostil, os moradores do lugar, ameaçadores, e uma aura de mistério cerca os desconhecidos ocupantes de Coldbarrow, uma faixa de terra pouco acessível, diariamente alagada na alta da maré. A vida dos irmãos acaba se entrelaçando à dos excêntricos vizinhos com intensidade e complexidade tão imperativas quanto a fé que os levou ao Loney, e o que acontece a partir daí se torna um fardo que Smith carrega pelo resto da vida, a verdade que ele vai sustentar a qualquer preço.


A história de Smith (ou Tonto) e seu irmão, Hanny começa na década de 70, quando os dois foram levados para passar uma temporada em um antigo povoado, na Inglaterra, onde costumava-se fazer peregrinações. A mãe dos meninos é extremamente religiosa, daquelas fervorosas, e ela acredita que existe um santuário que pode ajudar Hanny, que é mudo, a se curar. No livro, Tonto relembra fatos de sua infância e este é o fio condutor da história. 

Um belo dia recebo um pacote da Intrínseca e, quando abro, tinha uma caixa linda com o livro Loney. Só a caixa e a capa já me deram a impressão do que o livro se tratava. Para completar, Loney tem o selo Stephen King de aprovação.  Pois é, trata-se de um livro de terror/ suspense. Para uma pessoa medrosa que só (como sou),  acabei ficando receosa com a leitura. Terror é completamente fora do meu eixo de conforto. Para ser sincera, não leio terror (e nem pretendo).  Mas resolvi dar uma chance à Loney, final, era só ler de dia, certo?

Para um livro vendido como “terror”, achei ele “tranquilo” (para a minha alegria) mas sei que quem curte esse gênero de horror/gótico/amolevarumsustinho pode acabar se decepcionando com o livro. Loney me lembrou o estilo de “As gêmeas do gelo”, da Bertrand ou “Caixa de Pássaros”, também da Intrínseca (ambos excelentes, aliás)

O autor aposta em uma atmosfera bem sombria. Misturar religião com suspense e Igrejas e padres é algo bem cliché, mas Hurley se sai bem. Vários mistérios rondam o povoado e você só quer saber quais são.

Esse não foi o livro mais simples que eu já li. É lento em algumas partes, o que, para um livro de suspense, é péssimo. O autor aborda muito a questão a religião, uma vez que a família do protagonista beira o fanatismo. A história não tem muitos personagens, o que é bom para manter o foco no desenrolar da trama. Nem todos são devidamente aproveitados, mas o livro manteve a sua linearidade e até que conseguiu me prender. Acho que por eu estar esperando algo super assustador, ler algo “não tão assustador assim”, me deixou “menos tensa” e me fez querer continuar na leitura.

Como narrativa é em primeira pessoa e o livro é bem descritivo. Acredito que o autor tenha optado por detalhar bem as coisas para facilitar a visualização do leitor e contribuir para um cenário mais sombrio. Apesar disto, não precisava de tanto, o livro ficaria mais enxuto e direto. 

No final, uma decepção.  Fica aquela sensação de mais perguntas que respostas resolvidas. O autor deixou muita coisa em aberto. Muitos livros de terror/suspense fazem isso, o próprio Caixa de Pássaros faz, mas, a meu ver, em Loney, essa opção deixou a desejar, não surtiu o mesmo efeito, infelizmente. 

O livro é bom, Raquel? É. Mas não espere algo assustador.  Foi uma leitura que me entreteve, apesar dos pontos ressaltados. Não é o meu preferido e acredito que existam outros livros melhores do gênero. Mas não foi uma leitura desperdiçada. 

Antes de terminar, preciso elogiar o trabalho da intrínseca com o livro. Sério, ficou lindo demais., super caprichado. Livro capa dura, com jacket e ainda com um preço super justo, o que sabemos que não acontece com frequência.





20 julho 2016

# Resenha 366 // Na estrada Jellicoe

Oi pessoal, tudo bem?

Pois é, demorou para essa resenha aparecer por aqui, mas finalmente saiu. Sabe aquele livro que você termina e ainda precisa organizar as ideias sobre o que achou da história? Pois é. Com vocês "Na estrada Jellicoe"

Título: Na Estrada Jellicoe
Autor: Melina Marchetta
Editora: Seguinte
Páginas: 296
Livro cedido em parceria com a editora


Sinopse: A pequena cidade de Jellicoe, na Austrália, vive uma guerra territorial travada entre três grupos: os estudantes do internato, os adolescentes da cidade e os alunos de uma escola militar que acampa na região uma vez por ano. Taylor é líder de um dos dormitórios do internato e foi escolhida para representar seus colegas nessa disputa. Mas a garota não precisa apenas liderar negociações: ela vai ter que enfrentar seu passado misterioso e criar coragem para finalmente tentar compreender por que foi abandonada pela mãe na estrada Jellicoe quando era criança. Hannah, a única adulta em quem Taylor confia e que poderia ajudar, desaparece repentinamente e a pista sobre seu paradeiro é um manuscrito que narra a história de cinco crianças que viveram em Jellicoe dezoito anos atrás


Sabe aquele livro onde as peças são expostas ao longo dos capítulos e tudo só se encaixa no final? Pois é, este é "Na estrada Jellicoe". O livro começa confuso e eu me sentia cada vez mais perdida na história. Foi um pouco difícil insistir na leitura porque, simplesmente, nada fluía. Apesar da autora escrever bem, de início não tive empatia pelos personagens. Demorei para conseguir decifrar Taylor, que por um tempo me pareceu mais uma daquelas protagonistas chatas. No final ela até melhora. A jovem é daquelas que vai crescendo ao longo da trama. Mas até a metade do livro? Ela é simplesmente insuportável. 

A obra de Melinda Marchetta intercala vários universos com a história principal. A narrativa é muito fragmentada e nem sempre essa mudança foi bem pontuada pela autora. Essa é a parte mais frustrante do livro. Eu me senti totalmente perdida e precisei voltar para reler diversos trechos. Tudo isso foi me cansando.





Aos poucos (bem aos poucos mesmo), as coisas vão ficando mais claras. Marchetta escreve uma trama recheada de mistérios. O problema é que trata-se de uma história muito complexa para um YA. Acredito que a autora tentou inovar (o que é sempre bem vindo, óbvio), mas acabou errando na dosagem, e é uma pena porque o livro tem o seu potencial.

Diferente de muitas histórias, esta acontece  na Austrália, o que me deixou empolgada para ler. Mas, no final, acabei me decepcionando porque faltou uma ambientação. Se eu não soubesse que o livro se passa na Austrália, poderia jurar que era em qualquer outro lugar do mundo.

A história fala sobre a busca constante pela compreensão e a reconciliação com o passado.Mistura romance e mistério, mas poderia ter sido muito melhor.




19 julho 2016

# Semana Loney // Terror psicológico

E ai, pessoal?

Essa semana a Intrínseca organizou com os seus parceiros um especial do livro Loney, cuja resenha vocês conferem na sexta-feira, então voltem aqui para lerem o que eu achei. Mas em linhas gerais, trata-se de um terror psicológico. Eu sou uma pessoa medrosa? Eu sou uma pessoa medrosa! Mas até que eu gosto de um suspense psicológico. E você, gosta também?

Existe uma linha tênue que separa o terrorzão clássico (O exorcista, Pânico, e todos os discípulos do King) daquele terror que mexe mais com a sua cabeça, que faz o seu inconsciente. Falar de um terror/suspense psicológico é ir além de uma carnificina, massacre da serra elétrica, zumbis comedores de cérebro, criancinhas psicopatas e bonecos assassinos. 

Muitas das vezes, a simples sugestão de que algo não está certo surte um efeito bem mais devastador que uma cena de susto ou sangue. Quando o medo está implícito, as chances dele ficar com você depois de ver o filme ou ler um livro, são muito maiores.

Loney é exatamente assim. O livro traz as lembranças de Tonto da época em que ele, seu irmão mudo e sua mãe extremamente religiosa, fizeram uma peregrinação até um povoado na Inglaterra, na década de 70. Claro que o local é sinistro, a atmosfera é sombria e você vai ficar o livro inteiro com os olhos atentos, esperando por algo terrível que pode acontecer, mas você não sabe quando isto pode acontecer. 

Como este livro, existem vários outros que seguem o gênero de terror psicológico. Por isso, separei algumas dicas por aqui.


Garota exemplar





Uma das mais aclamadas escritoras de suspense da atualidade, Gillian Flynn apresenta um relato perturbador sobre um casamento em crise. Com 4 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo – o maior sucesso editorial do ano, atrás apenas da Trilogia Cinquenta tons de cinza –, "Garota Exemplar" alia humor perspicaz a uma narrativa eletrizante. O resultado é uma atmosfera de dúvidas que faz o leitor mudar de opinião a cada capítulo. Na manhã de seu quinto aniversário de casamento, Amy, a linda e inteligente esposa de Nick Dunne, desaparece de sua casa às margens do Rio Mississippi. Aparentemente trata-se de um crime violento, e passagens do diário de Amy revelam uma garota perfeccionista que seria capaz de levar qualquer um ao limite. Pressionado pela polícia e pela opinião pública – e também pelos ferozmente amorosos pais de Amy –, Nick desfia uma série interminável de mentiras, meias verdades e comportamentos inapropriados. Sim, ele parece estranhamente evasivo, e sem dúvida amargo, mas seria um assassino? Com sua irmã gêmea Margo a seu lado, Nick afirma inocência. O problema é: se não foi Nick, onde está Amy? E por que todas as pistas apontam para ele?



Caixa de pássaros





Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler. Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Cinco anos depois do surto ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles Malorie e dois filhos pequenos. Ela sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas a viagem que tem pela frente é assustadora: uma decisão errada e eles morrerão.



As gêmeas do gelo




Um ano depois de Lydia, uma de suas filhas gêmeas idênticas, morrer em um acidente, Angus e Sarah Moorcroft se mudam para a pequena ilha escocesa que Angus herdou da avó, na esperança de conseguirem juntar os pedaços de suas vidas destroçadas. Mas quando sua filha sobrevivente, Kirstie, afirma que eles estão confundindo a sua identidade — que ela é, na verdade, Lydia — o mundo deles desaba mais uma vez. Quando uma violenta tempestade deixa Sarah e Kirstie (ou será Lydia?) confinadas naquela ilha, a mãe é torturada pelo passado — o que realmente aconteceu naquele dia fatídico, em que uma de suas filhas morreu?'




Já leu algum?

18 julho 2016

# Resenha 365 // A Rebelde do deserto

E aí, pessoal, tudo bem?

Hoje vou falar de um livro que me surpreendeu bastante. Para quem gosta de fantasia com protagonista forte que só, vocês não podem deixar de ler "A rebelde do deserto". Foi difícil escrever essa resenha, como sempre é quando gostamos da leitura. Mas espero que eu tenha conseguido transmitir um pouco de tudo o que senti para vocês.


Título: A rebelde do deserto // A rebel of the sands
Autor: Alwyn Hamilton
Editora: Seguinte
Páginas: 288
Livro cedido em parceria com a editora 


Sinopse: O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher. Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele. Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por revelar a ela o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.




Mais uma indicação acertada da Diana, das parcerias da Companhia. A Rebelde do Deserto é uma fantasia super envolvente que se passa no deserto de Miraj. A protagonista, Amani, tem o sonho de fugir de lá. Ela mora com os tios desde que seus pais faleceram, o que não é nada fácil. O fato de ser mulher não ajuda muito. Ela sempre foi maltratada e explorada, aliás, não só a jovem, mas todas as mulheres, fruto da sociedade machista em que estão inseridas. Mas Amani aprendeu a se defender (ainda bem). Ela está decidida a ir embora e, para isso, terá que se disfarçar para seguir em busca de um novo destino. Seu desafio é vencer uma terra mágica, com seres sobrenaturais sinistros e ainda decidir de que lado estará durante a guerra.

O resultado é livro intenso, com muita ação, um toque de mistério, alguns romances e certas críticas sociais, ainda que bem sutis. O que eu mais gostei no livro. Além da história, é claro, é de termos, novamente, uma protagonista forte que sabe que o seu lugar não é ali, sendo uma submissa, explorada. Amani tem a consciência de que ninguém é capaz de dizer o que ela tem que fazer porque ela também é uma pessoa racional, capaz de tomar suas decisões. E é por isso que ela segue seu rumo, sem desistir dos seus objetivos. É fácil? Claro que não é. Como leitora, sofrei, xinguei, amei junto da personagem. Ela caminha em uma jornada de autoconhecimento super bacana.






















O deserto em questão é um paralelo ao Oriente Médio, com seus costumes, tradições e, principalmente, com as guerras religiosas. Sabe aquela fantasia com fundo de realidade? Pois é, este é “A Rebelde do deserto”. Claro que o que mais chama a atenção é o temperamento da protagonista. E como precisamos de mais personagens fortes como Amani por aí! Ela é simplesmente incrível!!

Com o seu texto reflexivo e a narrativa ágil, a obra me deixou encantada e totalmente vidrada. A autora consegue envolver o leitor e surpreender em várias partes. Achei o final um pouco corrido demais para um livro que prezou tanto pelos detalhes. Mas ainda assim é impossível não ficar minimamente curioso para o que vem a seguir.

Para quem não curte livros com romances melosos, "Rebelde do deserto" é o que você procura. Tem romance? Tem, mas é tudo bem sutil, sem deixar que a história saia do rumo. Adorei o relacionamento de Jim e Amani. Não é aquela paixonite a primeira vista irritante. É um amor doce, com grande cumplicidade. 

"A rebelde do deserto" é recheado de reviravoltas e personagens incríveis. Este é apenas o primeiro livro de uma trilogia. Leiam e se surpreendam, como eu.